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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Vagas tristes

Prestai atenção! Não escutais ainda ao longe o rumor das vagas a bater nos cascos dos negreiros?
Suas espumas rebatem sobre nós como lágrimas tristes.
Os grilhões não existem mais, mas ainda pesam sobre a nossa história.
Os açoites já não ferem a carne, mas estalam como palavras que doem na alma.
Coragem irmãos, coragem!
Lembrai-vos dos vossos antepassados que lutaram pela liberdade a qualquer custo.
E agradecei à ciência que, a despeito de nossa soberba e arrogância,
Nos colocou todos em pé de igualdade.

Não vos enganeis. Não estais sozinhos.
Junto de vós há outros irmãos em humanidade
Que lamentam profundamente o vosso passado de dor e miséria;
Que se envergonham deste vexame histórico,
- A subjugação de um povo por outro -
Da mentira secular da superioridade calcada na visão de superfície,
Quando na essência, somos todos apenas humanos.

O vosso trabalho agora é para o futuro.
Plantai as sementes hoje que florescerão amanhã.
Sede honestos convosco mesmos,
Não vos deixeis iludir pelas quimeras do mundo.
Não será a revolta que vos tirará da marginalidade,
Mas sim o roteiro incólume que,
A despeito de todas as degenerações ao vosso redor,
Provará ser firme o vosso propósito.
Notai: Todas as facilidades, todos os desvios do caminho são armadilhas para fustigar a vossa queda.
Guiai-vos!
Elevai-vos pelos bons exemplos da humanidade.
E que cada um de vós sirva de apoio um para o outro.

Estudai! Mirai mais além.
Deitai as vossas cabeças sobre os livros,
Engrandecei a vossa alma com a luz e o conhecimento.
Sede os melhores que podeis.
Atingi pelo vosso engrandecimento o ápice da montanha,
E guardai o vosso grito jubiloso para o final: Eu venci!

E não pareis mais!... Engajai-vos neste esforço contínuo,
Fazei valer as vossas conquistas como o élan para os mais pusilânimes.
Abraçai-os, apaziguai-os em seus soluços de revolta e tristeza,
E não deixeis que ninguém mais se perca.
E não duvideis: Outros tantos estarão nas coxias acompanhando e ajudando este grande espetáculo social.

Que sejamos, um dia, ditosos!
E possamos todos celebrar a união do povo brasileiro.
Engajemo-nos todos num movimento único de fraternidade,
E que possamos viver em paz na Terra do Cruzeiro.
Seja ela o nosso ideal de vida, igualdade e liberdade.

Frederico Ferreira

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Cores

Nossa cor denuncia o que somos? 
É nosso corpo ou nossas ações que nos definem? 
A destinação de todos os cabelos é o branco. 
A pele crestada ao Sol confirma imediatamente a nossa fragilidade,
Enquanto a cova fria reclama igualdade. 

Por qual direito ou ideal estamos lutando? 
Se todos somos iguais diante da morte, 
Porque então não sê-lo em vida? 
Para o Mundo, temos todos o mesmo valor. 
A única supremacia inquestionável é a paz. 

Frederico Ferreira