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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Melancolia

O vento frio da noite sopra sobre o meu rosto. 
Estrelas ao longe – que nada mais são do que 
Luzes que transbordam de si mesmas no espaço escuro e infinito – 
Dão-me a noção exata da vastidão e perenidade da vida. 
Como tudo é tão imenso! 
Como o perfume simples das flores do campo, 
Ou a brisa do mar, 
No vaguear lento e interminável das ondas que 
Transportam meu pensamento ao longe 
Me consolam! 

O vazio que às vezes toma conta de minh‘alma 
É vastamente preenchido por este movimento contínuo da vida. 
Na natureza, não há temores sobre o amanhã. 
Mesmo no caos - que o homem, 
Efêmero na sua apreciação e que 
Julga explicar tudo negativamente por sua visão adstrita - 
Repousa a ordem que não se vê. 
A ordem harmônica do Universo. 

Universo inacabado, porque se movimenta e se transforma. 
Dentro de mim pulsa a origem divina das coisas; 
Fora de mim, a brisa bate em meu rosto e 
Sinto todo o movimento à minha volta. 
O vazio que sinto é a vontade da alma que 
Quer ser livre e participar de tudo isso: 
A de ser também brisa que movimenta e transforma. 
Presa no corpo, ela ainda não consegue senão apenas sentir 
E sonhar. 

Frederico Ferreira

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Jardim

É hora de varrer as folhas secas,
De limpar o terreno da Alma,
Fazer a terra do coração respirar. 
É hora de podar os arbustos da consciência,
De fazer aparecer as flores miúdas e perfumadas
- que brotaram a duras penas -
Que resistiram fortemente 
À aridez do solo inculto.

É hora de regar as plantas como quem 
Aguarda o frescor da brisa da primavera.
De deixar cair as gotas da esperança
A umedecer o solo com temperança,
E fazer as cores prevalecerem. 

Nada de folhas secas neste jardim! 
Nada de monturos do passado, 
Folhas perdidas pelos ventos dos acontecimentos,
De bancos sujos que impedem o repouso da alma. 

É preciso fazer a terra respirar,
Fazer a luz alcançar a imensidão deste canteiro.
É preciso não ter medo de deitar sobre a relva verde,
E contemplar todos os avanços que já se fez.
De sentir o perfume em si,
Como quem cultiva uma virtude 
E faz brotar de si a essência da alma.

Frederico Ferreira

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Trajetória

Erguei os vossos olhos para adiante, que o Sol brilha.
Brilham também estrelas e os olhos arregalados de vida maravilhados.
Maravilham as águas que caem das montanhas e as torrentes que seguem mudas,
Emudecidas pela calmaria do tempo fluido.
Flui o sangue nas veias do coração acelerado
Que acelera a mente que mente a si e nega
E sonega a verdade da vida que vê, que sente e escuta.

Continuai com a vossa alma suspirante a busca
Mesmo através do nada que não se vê quando é observado – ainda que sendo um caminho -
E observa que tudo respira na mesma ordem, uníssono, no fluxo
Que flui fluindo vida, beleza, imensidão, amor!.
Amai, portanto, indistintamente o Universo e o Criador;
O lar da vida que vive o tempo quase infinito e
Aquele que, da Vontade, cria e recria e transforma a vida.

Sim, tudo teve um começo e tem um fim.
Não o fim do começo, mas finalidade
Que nos envolve através da verdade que aos poucos se desvela.
Vida, morte - morte da matéria! - porque enquanto vida e Criação Divina,
Respira em nós a centelha que jamais se apaga
É alma, é eterna!
A mesma chama que brilha no homem civilizado e no homem da caverna.

São nas transmigrações sucessivas, de mundos e de vidas
Que vamos nos aproximando do Criador.
Veja que Luz, que sabedoria infinita
Que nos dá muitas chances de vida, para aprender e evoluir!
Não nasce do verme a borboleta?
Não se esforça a semente na cova bendita?
Guardamos em nós também a essência divina, pronta para eclodir.

Olhai para o lado, vede quão diferentes são os caracteres e as gentes
Cada um com seu valor e aptidões diferentes,
Outros tantos com virtudes e torpezas inatas.
São almas que se educaram e continuam se educando
Aos poucos, imersas na matéria bruta.
Aos poucos aprendendo que o caminho do Santo
É de dor, de renúncia, de fé, de esperança e de luta.


Frederico Ferreira