Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Questionamentos

Entender é a palavra.
Entender!
Entender qual a força que nos une
Ainda que guardemos, dentro de nós, tamanha intemperança.
Os opostos se manifestam no mundo,
Como metáforas aterradoras!

São vales que desafiam montanhas
Águas que da pedra brotam
É a terra que, de suas entranhas,
Através dos vulcões lavas soltam.

São rios que, em suas torrentes,
A desafiar a seca que se inicia,
Vertem a água que propicia
O verdejar do solo, em beleza envolvente.

Florestas exuberantes, de infinita beleza
Que, a despeito da serra que a fere,
Há uma força intrínseca da vida que tudo gere
E que sempre faz recuperar sua grandeza

Entender, volto a palavra
E não sei onde vou chegar
Neste Brasil de miseráveis, de pessoas
Esperançosas
Há tantos vultos, gente mal-intencionada, viciosas que
Para defender a igualdade, criam
Divisão.
Antes, éramos uma única nação.
Agora, somos dezenas de grupamentos!
Cada qual com sua espada, em regimentos
A lutar na arena dos ideais, em revolução.

O que fazer, entretanto?
Oh Cabral! Enxuga-me o pranto se
Ao longe, das caravelas,
Não vislumbraste um povo bom e sonhador
E árvores que, como capelas,
Já guiavam olhares para o Alto,
Ao Criador!

O que fazer, ante o irremediável porvir?
Digladiarmo-nos, talvez! Mas, ao refletir,
Não perder de nós o que há de bom:
A vontade de crescer, mas de conseguir unir, das
Diferenças, a construção.

Sejamos, pois, simplesmente brasileiros!
Amemos a Pátria do Cruzeiro.
Empunhemos a bandeira verde-louro
E conservemos, para o futuro, nosso tesouro:
— A força da nossa união.

Frederico Ferreira

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Nossa Terra

Os séculos passam. No entanto as palmeiras 
Sobrevivem,
Assim como os sabiás. 
Parecem até ignorar as loucuras e paixões desse povo. 
Não lhes tocaram os rios de sangue e lágrimas 
Ao longo da história. 
Estão todas bem assentadas nesta terra 
Enquanto os sabiás cantam alegres, cheios de esperança. 

A filosofia nos mata,
Assim como as teorias econômicas. 
Nós digladiamos nas ruas da cidade, 
Ameaçamos os campos. 
Blasfemamos contra a terra que nos acolhe, 
A maldizemos como a uma mãe que abandonou 
Sua prole, mas não! 

Apesar dos movimentos humanos, 
Nossa terra continua forte. 
Sustenta as florestas e montanhas 
Corre inabalável no seu seio a água límpida das cachoeiras. 
Passará pelas tempestades 
Do nosso coração bravio 
E nossas torrentes de poder e horror. 

Frederico Ferreira.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Democracia

O que parece ser a Democracia? 
Fim e não meio? 
Gostaria que fosse, 
Porém, aquele conto de fadas que todos escutam 
E almejam sua materialização, 
Não é senão motivação filosófica para que 
Poucos comandem muitos,
E que, a favor do que se acostumou chamar de “bem comum” – que quem afinal? – 
Somos obrigados a obedecer cegamente. 

A Democracia não é apanágio de leis, 
De emaranhados de conceitos 
Em que poderosos se apoiam para justificar 
Benefícios, solturas 
De prisioneiros, 
Aumentos de seus próprios salários. 
Não! Democracia é vontade da maioria, 
Seja ela absoluta ou não. 

Eu ouço conversas de gente espantada. 
Como entender, portanto, estes acontecimentos? 
Como ficar neutro e deixar correr o sangue 
Misturado com lágrimas,
A vista turva embrulhada pela treva do negativismo, 
Apenas atingida pelos raios do porvir 
Que, pelos ocorridos recentemente, nada trouxeram senão 
Trevas e tempestade, 
Confrontos e um país dividido. 

Como somos manipulados! 
Como somos obrigados a crer nesta verdade demagógica e absurda, 
De que os Poderes estão lá para nos representar! 
E somos milhões! 
Milhões de árvores secas que estagnaram 
No solo bravio da indiferença. 

Frederico Ferreira

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A granja

Num imenso balcão,
Embora ventilado e cheio de verde à sua volta,
Galinhas disputam.
Este é um ambiente diverso do que se vê normalmente.
Não são todas iguais, brancas.
Há galinhas de todos os matizes:
vermelhas,
pretas,        
marrons,
brancas.

No seu linguajar monossilábico,
Parecem discutir.
Uma tenta cacarejar mais alto do que a outra.
Estufam o peito.
Batem asas.
Brigam entre si,
querendo dar razões às suas ideias,
Quando não percebem que são todas elas,
          simplesmente, galinhas.
          todas, condenadas, à princípio.

Um homem de botas as visita.
Veem nele um tipo estranho:
          O homem que traz a comida
          e a água — o que o transformou em seu líder.
Ele também anota números em uma placa,
Como que em uma contagem regressiva para o abate.
Elas, porém, não desconfiam de nada,
Porque veem as palavras, mas não as entendem.
Elas veem os números, mas não sabem contar.
Ninguém ensina galinhas a ler.

Por esta falta em sua instrução,
Não imaginam elas que as cercas são arames frágeis,
fáceis de se romper.
Ou ainda que,
a placa que diz:
          SAÍDA,
          Pode lhes valer a vida.

Mais ao fundo, algumas doentes,
Aleijadas pelo rompante de suas ideias,
Porém ignoradas pela massa,
Morrem solitárias.
Dir-se-ia serem talvez as poetas naquela língua,
ou ainda, pensadoras daquele lugar
Que, do empirismo do seu pensamento,
Almejaram mudar seu destino.

Mas tudo continua monossilábico.
Pensamentos e palavras rasas,
Superficiais,
Que selam fatalidades;
Ou ainda que as mantém confinadas.

O tempo passa e não conseguem perceber que a morte se aproxima.

Mas porque minha preocupação com tudo isso?
Galinhas não votam.

Frederico Ferreira

sábado, 13 de janeiro de 2018

Nas ruas desertas do meu sonho

Nas ruas desertas do meu sonho, o gigante dorme.
Ninguém lá está, senão os mendigos.
Miséria carregada de tristeza e abandono,
Como fantasmas vivos
De mãos sujas e alma turva.
A rua é sua penúltima morada
Antes da morte definitiva.
— Se é que podemos afirmar que estão vivos.
A bebida os consome por dentro,
Mas é a droga que os enlouquece,
          que os cerra na sua loucura,
Onde não há fome ou frio.
Aceitam, assim, a viagem sem volta.

Nas ruas desertas do meu sonho, o gigante dorme.
Dorme porque sua alma está entorpecida.
As contas para pagar,
          os impostos — muitos impostos,
O medo do desemprego,
          a violência,
Entorpecem a alma do meu país.
Ninguém olha para a janela ao lado.
Sequer abrem a janela do carro
Para ver o que se passa
          com os mendigos
          — Que ninguém quer ver.

Nas ruas desertas do meu sonho, o gigante dorme.
E, enquanto dorme,
O dinheiro some — ou dizem que some.
Os risos daqueles que roubam
dos que aceitam
tudo
em silêncio,
Invade a noite.
Invade o dia.
Entra pelas estações e os anos.
Mas os jasmins continuam a florir.
E as damas-da-noite continuam a cheirar
Para adocicar o sono dos que
          dormem.

Meu sonho é às vezes interrompido por gargalhadas.
Vejo na penumbra que os colarinhos
          estão entreabertos.
As gravatas maldispostas — relaxadas.
Bocas que ruminam como porcos os seus fartos jantares
E exibem suas panças gordas
— como gordos cachaços —
os reis da pocilga!
Como são insaciáveis!
Como o dinheiro que lhes é entornado como lavagem
          para consumirem e
                    deitarem e se
                              locupletarem,
          jamais é suficiente!
E depois desta orgia,
Colocam suas cabeças em seus travesseiros de pluma
macios,
altos,
como sua arrogância  
Para compensar o peso de suas consciências.

Nas ruas desertas do meu sonho,
São seus próprios demônios que os perseguem,
e nenhum outro.
Não dormem sem sentir o medo que apavora
o da sombra das grades,
da pobreza que abominam ou ainda,
o do frio punhal da traição.
Contam maços de dinheiro à noite.
Pacotes e pacotes de baiacus e de
onças pintadas.
                    Animais em cativeiro.
Usam apelidos, falam baixo, arrumam esconderijos
Porque paredes têm ouvidos.
Seu melhor amigo é
também
seu inimigo.

Nas ruas desertas do meu sonho, o gigante dorme.
E os mendigos cantam e dançam
Enquanto toda a gente dorme e sonha
          Junto comigo
                    dias melhores.
Mas não há ação. Apenas respiramos
imóveis.
Todos dormem.
Dormem.

Frederico Ferreira

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Vagas tristes

Prestai atenção! Não escutais ainda ao longe o rumor das vagas a bater nos cascos dos negreiros?
Suas espumas rebatem sobre nós como lágrimas tristes.
Os grilhões não existem mais, mas ainda pesam sobre a nossa história.
Os açoites já não ferem a carne, mas estalam como palavras que doem na alma.
Coragem irmãos, coragem!
Lembrai-vos dos vossos antepassados que lutaram pela liberdade a qualquer custo.
E agradecei à ciência que, a despeito de nossa soberba e arrogância,
Nos colocou todos em pé de igualdade.

Não vos enganeis. Não estais sozinhos.
Junto de vós há outros irmãos em humanidade
Que lamentam profundamente o vosso passado de dor e miséria;
Que se envergonham deste vexame histórico,
- A subjugação de um povo por outro -
Da mentira secular da superioridade calcada na visão de superfície,
Quando na essência, somos todos apenas humanos.

O vosso trabalho agora é para o futuro.
Plantai as sementes hoje que florescerão amanhã.
Sede honestos convosco mesmos,
Não vos deixeis iludir pelas quimeras do mundo.
Não será a revolta que vos tirará da marginalidade,
Mas sim o roteiro incólume que,
A despeito de todas as degenerações ao vosso redor,
Provará ser firme o vosso propósito.
Notai: Todas as facilidades, todos os desvios do caminho são armadilhas para fustigar a vossa queda.
Guiai-vos!
Elevai-vos pelos bons exemplos da humanidade.
E que cada um de vós sirva de apoio um para o outro.

Estudai! Mirai mais além.
Deitai as vossas cabeças sobre os livros,
Engrandecei a vossa alma com a luz e o conhecimento.
Sede os melhores que podeis.
Atingi pelo vosso engrandecimento o ápice da montanha,
E guardai o vosso grito jubiloso para o final: Eu venci!

E não pareis mais!... Engajai-vos neste esforço contínuo,
Fazei valer as vossas conquistas como o élan para os mais pusilânimes.
Abraçai-os, apaziguai-os em seus soluços de revolta e tristeza,
E não deixeis que ninguém mais se perca.
E não duvideis: Outros tantos estarão nas coxias acompanhando e ajudando este grande espetáculo social.

Que sejamos, um dia, ditosos!
E possamos todos celebrar a união do povo brasileiro.
Engajemo-nos todos num movimento único de fraternidade,
E que possamos viver em paz na Terra do Cruzeiro.
Seja ela o nosso ideal de vida, igualdade e liberdade.

Frederico Ferreira

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Ao Brasil, perdão!

Oh Pátria minha!
Uma vez mais peço-te perdão.
Já se passam séculos e continuamos a fazer o de sempre: roubar-te!
Sim, porque ao absolver ladrões implicados
Mostramos que estamos todos do mesmo lado.
Todos sonhamos acordados com o futuro que não chega jamais!
Nossa inércia é monstruosa.
Nada mais nos indigna.
Nem mesmo nossa justiça, que parece mais afeita a ladrões de galinhas.
Estamos anestesiados pelos odores pestilentos de nossa pocilga moral,
Confundidos pelas notícias propositalmente desencontradas,
Abatidos, fatigados pelo labirinto de problemas ditos insolúveis.

Respiro fundo e sonho: Como poderia ser diferente se tudo funcionasse!
Mas as malas de dinheiro não carregam valores para matar a fome,
Não compram remédios,
Não pagam professores.
Tudo continua a repetir-se como antes,
Na hereditariedade das capitanias e nos bigodes dos coronéis.
O luxo é para poucos!
Continuamos, entretanto, anestesiados,
Assistindo a tudo como um novo capítulo de uma novela,
Como se nada disso nos pertencesse.

Oh impunidade!
Como é fácil negar! Como é fácil desmentir tudo – mesmo imagens e vozes gravadas.
Como as manobras são feitas para nos dar a impressão de que algo está acontecendo.
Não sabemos ao certo. Estamos anestesiados.
Somos torturados pelos fantasmas do passado
E temos medo do futuro.
Fomos educados para parecer medíocres.
Tudo o que fazemos parece médio, mas não!
Temos vergonha de sentir vergonha.
Só não temos vergonha de ver tudo isso e continuarmos anestesiados.

O que fazer então?
Quem sabe primeiro tentar vencer a timidez ingente
E largar o ópio da indolência, que é toda a nossa anestesia?
Indignar-se e falar!
Dar a voz ao coração e à mente que anseia.
E agir!
Pensar no bem comum, na ética a qualquer preço,
Ainda que fazendo pouco, mas sempre.
Esta terra é nossa. Cuidemos dela.

Tudo fica mais claro agora.
Parece que a sombra se dissipa
E já vejo o brilho cintilante nas estrelas da nossa bandeira.

Frederico Ferreira