O vento frio da noite sopra sobre o meu rosto.
Estrelas ao longe – que nada mais são do que
Luzes que transbordam de si mesmas no espaço escuro e infinito –
Dão-me a noção exata da vastidão e perenidade da vida.
Como tudo é tão imenso!
Como o perfume simples das flores do campo,
Ou a brisa do mar,
No vaguear lento e interminável das ondas que
Transportam meu pensamento ao longe
Me consolam!
O vazio que às vezes toma conta de minh‘alma
É vastamente preenchido por este movimento contínuo da vida.
Na natureza, não há temores sobre o amanhã.
Mesmo no caos - que o homem,
Efêmero na sua apreciação e que
Julga explicar tudo negativamente por sua visão adstrita -
Repousa a ordem que não se vê.
A ordem harmônica do Universo.
Universo inacabado, porque se movimenta e se transforma.
Dentro de mim pulsa a origem divina das coisas;
Fora de mim, a brisa bate em meu rosto e
Sinto todo o movimento à minha volta.
O vazio que sinto é a vontade da alma que
Quer ser livre e participar de tudo isso:
A de ser também brisa que movimenta e transforma.
Presa no corpo, ela ainda não consegue senão apenas sentir
E sonhar.
Frederico Ferreira
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sexta-feira, 13 de abril de 2018
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Tudo passa
Porque certas horas sinto esta dor no peito,
O coração opresso como num abandono?
Eu vejo as paragens do mundo; tudo me extasia.
Não há porque duvidar do amanhã.
Sim. Tudo na vida passa como um capítulo curto,
Uma melodia que acaba.
A impressão fica.
Eu remoo estas impressões, que viram versos.
Tudo é tão sutil e breve que sequer devo ocupar-me de entender.
Estas linhas dão cor à minha vida.
Nelas que meu sonho repousa.
É nos meus versos que eu sou.
A noite passa insone e triste.
Abre-se diante de mim o silêncio e o infinito:
Lápis e papel em branco.
Aqui encontro a minha cura.
Frederico Ferreira
O coração opresso como num abandono?
Eu vejo as paragens do mundo; tudo me extasia.
Não há porque duvidar do amanhã.
Sim. Tudo na vida passa como um capítulo curto,
Uma melodia que acaba.
A impressão fica.
Eu remoo estas impressões, que viram versos.
Tudo é tão sutil e breve que sequer devo ocupar-me de entender.
Estas linhas dão cor à minha vida.
Nelas que meu sonho repousa.
É nos meus versos que eu sou.
A noite passa insone e triste.
Abre-se diante de mim o silêncio e o infinito:
Lápis e papel em branco.
Aqui encontro a minha cura.
Frederico Ferreira
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