Fecho meus olhos.
Quero estar longe destas paredes,
E desta janela medíocre para o mundo:
Da tela plana silenciosa,
Inodora e insensível do computador.
Meus olhos desejam ver Imensidão.
Quero de novo sentir a maresia
Invadindo meu peito.
A areia, na sua rudeza doce,
A envolver os meus pés.
Atrás de mim quero ter a Serra do Mar.
Parede enorme, no entanto, transponível.
Com cores, densidades e bichos e
Cachoeiras de água fria e
Pedras, muitas pedras.
Nada disso, porém, parece tão imenso,
Tão intransponível quanto estas paredes brancas
E esta outra janela do escritório que, todas as manhãs,
Inunda meus olhos com a luz do Sol.
Nesga de luz e pouco de mata de jardim
Como um quadro vivo ao lado.
Frederico Ferreira
Mostrando postagens com marcador liberdade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador liberdade. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Sobre flores e pássaros
Às vezes na vida, temos que deixar que as flores,
Elas mesmas, cuidem de si.
Embora estejam em nossos canteiros,
Elas não nos pertencem.
São sementes de esperança, beleza e
Perfume,
Que vencem sozinhas a rudeza do solo,
A violência das pragas,
O desgaste das intempéries.
Assim também é com os pássaros,
Flores libertas
Que, no lugar de perfume,
Entoam cantos, celebrando a liberdade.
Na vida, tudo tem a sua força,
Tudo tem a sua hora.
Nada de querer antecipar o desabrochar de botões;
Nada de querer ensaiar o abandono prematuro dos
ninhos.
Porque assim como o perfume dorme na semente que
eclode,
A liberdade ganha espaço nas asas que se abrem,
cuidadosas,
Para o amanhã.
Frederico Ferreira
sexta-feira, 13 de abril de 2018
Melancolia
O vento frio da noite sopra sobre o meu rosto.
Estrelas ao longe – que nada mais são do que
Luzes que transbordam de si mesmas no espaço escuro e infinito –
Dão-me a noção exata da vastidão e perenidade da vida.
Como tudo é tão imenso!
Como o perfume simples das flores do campo,
Ou a brisa do mar,
No vaguear lento e interminável das ondas que
Transportam meu pensamento ao longe
Me consolam!
O vazio que às vezes toma conta de minh‘alma
É vastamente preenchido por este movimento contínuo da vida.
Na natureza, não há temores sobre o amanhã.
Mesmo no caos - que o homem,
Efêmero na sua apreciação e que
Julga explicar tudo negativamente por sua visão adstrita -
Repousa a ordem que não se vê.
A ordem harmônica do Universo.
Universo inacabado, porque se movimenta e se transforma.
Dentro de mim pulsa a origem divina das coisas;
Fora de mim, a brisa bate em meu rosto e
Sinto todo o movimento à minha volta.
O vazio que sinto é a vontade da alma que
Quer ser livre e participar de tudo isso:
A de ser também brisa que movimenta e transforma.
Presa no corpo, ela ainda não consegue senão apenas sentir
E sonhar.
Frederico Ferreira
Estrelas ao longe – que nada mais são do que
Luzes que transbordam de si mesmas no espaço escuro e infinito –
Dão-me a noção exata da vastidão e perenidade da vida.
Como tudo é tão imenso!
Como o perfume simples das flores do campo,
Ou a brisa do mar,
No vaguear lento e interminável das ondas que
Transportam meu pensamento ao longe
Me consolam!
O vazio que às vezes toma conta de minh‘alma
É vastamente preenchido por este movimento contínuo da vida.
Na natureza, não há temores sobre o amanhã.
Mesmo no caos - que o homem,
Efêmero na sua apreciação e que
Julga explicar tudo negativamente por sua visão adstrita -
Repousa a ordem que não se vê.
A ordem harmônica do Universo.
Universo inacabado, porque se movimenta e se transforma.
Dentro de mim pulsa a origem divina das coisas;
Fora de mim, a brisa bate em meu rosto e
Sinto todo o movimento à minha volta.
O vazio que sinto é a vontade da alma que
Quer ser livre e participar de tudo isso:
A de ser também brisa que movimenta e transforma.
Presa no corpo, ela ainda não consegue senão apenas sentir
E sonhar.
Frederico Ferreira
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
A granja
Num imenso balcão,
O tempo passa e não conseguem perceber que a morte se aproxima.
Embora ventilado e cheio de verde à sua volta,
Galinhas disputam.
Este é um ambiente diverso do que se vê normalmente.
Não são todas iguais, brancas.
Há galinhas de todos os matizes:
vermelhas,
pretas,
marrons,
brancas.
No seu linguajar monossilábico,
Parecem discutir.
Uma tenta cacarejar mais alto do que a outra.
Estufam o peito.
Batem asas.
Brigam entre si,
querendo dar
razões às suas ideias,
Quando não percebem que são todas elas,
simplesmente,
galinhas.
todas,
condenadas, à princípio.
Um homem de botas as visita.
Veem nele um tipo estranho:
O homem
que traz a comida
e a
água — o que o transformou em seu líder.
Ele também anota números em uma placa,
Como que em uma contagem regressiva para o abate.
Elas, porém, não desconfiam de nada,
Porque veem as palavras, mas não as entendem.
Elas veem os números, mas não sabem contar.
Ninguém ensina galinhas a ler.
Por esta falta em sua instrução,
Não imaginam elas que as cercas são arames frágeis,
fáceis de se romper.
Ou ainda que,
a placa que diz:
SAÍDA,
Pode lhes
valer a vida.
Mais ao fundo, algumas doentes,
Aleijadas pelo rompante de suas ideias,
Porém ignoradas pela massa,
Morrem solitárias.
Dir-se-ia serem talvez as poetas naquela língua,
ou ainda, pensadoras daquele lugar
Que, do empirismo do seu pensamento,
Almejaram mudar seu destino.
Mas tudo continua monossilábico.
Pensamentos e palavras rasas,
Superficiais,
Que selam fatalidades;
Ou ainda que as mantém confinadas.
O tempo passa e não conseguem perceber que a morte se aproxima.
Mas porque minha preocupação com tudo isso?
Galinhas não votam.
Frederico Ferreira
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Mar profundo
Da respiração triste, surgem janelas embaçadas.
O reflexo mostra olhares perdidos,
Preocupados.
Crianças brincam desprevenidas,
Desavisadas da tempestade que se aproxima.
O barco adentra o mar profundo
Como o sonho extasiante da adolescência.
Infinita é a vida que se abre no horizonte azul das ondas,
Enquanto o céu tudo cobre com seu manto sagrado de estrelas.
Correntes descendentes,
Arrecifes de ilusão,
Ventos incertos atrapalham sua rota.
Das incertezas do caminho,
O único acalento da alma é que um dia aportará.
Impotente se vê o nauta que procura desesperadamente
O céu azul e o mar tranquilo
Ao longe nas vigias. No horizonte,
O mar encapelado, barco encoberto de espuma
Que tenta seguir seu rumo,
Em direção ao seu porto seguro.
Os olhos são as vigias da Alma
Onde pais, marinheiros castigados pelo tempo,
Pelo rude açoite das ondas,
Procuram conduzir seus filhos
Nas catadupas das paixões bravias.
Não há bussolas possíveis,
Astrolábios a buscar rotas demarcadas pelo êxito.
Tudo se perde no mar profundo do infinito de possibilidades,
Onde a alma, que busca incessantemente seu caminho,
Como ventos libertadores de correntes fugidias,
Traça sua rota.
Sua liberdade é a própria descoberta de ser livre.
Sua rota é o próprio caminho que se descortina diante de si,
No mar infinito. Nesta descoberta,
Tudo é ímpeto, paixão e aprendizado.
O nauta quer salvar sua embarcação.
A única forma possível é o Amor.
Frederico Ferreira
O reflexo mostra olhares perdidos,
Preocupados.
Crianças brincam desprevenidas,
Desavisadas da tempestade que se aproxima.
O barco adentra o mar profundo
Como o sonho extasiante da adolescência.
Infinita é a vida que se abre no horizonte azul das ondas,
Enquanto o céu tudo cobre com seu manto sagrado de estrelas.
Correntes descendentes,
Arrecifes de ilusão,
Ventos incertos atrapalham sua rota.
Das incertezas do caminho,
O único acalento da alma é que um dia aportará.
Impotente se vê o nauta que procura desesperadamente
O céu azul e o mar tranquilo
Ao longe nas vigias. No horizonte,
O mar encapelado, barco encoberto de espuma
Que tenta seguir seu rumo,
Em direção ao seu porto seguro.
Os olhos são as vigias da Alma
Onde pais, marinheiros castigados pelo tempo,
Pelo rude açoite das ondas,
Procuram conduzir seus filhos
Nas catadupas das paixões bravias.
Não há bussolas possíveis,
Astrolábios a buscar rotas demarcadas pelo êxito.
Tudo se perde no mar profundo do infinito de possibilidades,
Onde a alma, que busca incessantemente seu caminho,
Como ventos libertadores de correntes fugidias,
Traça sua rota.
Sua liberdade é a própria descoberta de ser livre.
Sua rota é o próprio caminho que se descortina diante de si,
No mar infinito. Nesta descoberta,
Tudo é ímpeto, paixão e aprendizado.
O nauta quer salvar sua embarcação.
A única forma possível é o Amor.
Frederico Ferreira
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Pequeno coração ferido
Meu corpo,
teu corpo.
Quão estreito é o limite entre nós.
Vivo no teu
universo.
Respiro e me
alimento do que é teu
E gravito,
dentro de ti,
Como um
astronauta.
Eu sonho
com a vida lá fora.
Me atento
aos ruídos externos.
Tudo é vida – dentro e fora de mim.
Não me culpes. Quero viver!
Deixa-me,
portanto, sonhar com o amanhã.
Não te deixes levar pelas ideias
tortas de liberdade.
Não tenho como contrapô-las.
Lei dos
homens. Lei da Natureza.
Uma mutável. A outra, não.
Lembra-te: somos
homens, biológicos,
Sentimos
dor, temos sentimentos.
Quer-me bem
por um momento!
Mãe, não quero nascer antes do tempo
Até porque não sei se consigo viver.
Deixa-me
aqui, no seu quentinho.
Dá-me mais tempo para crescer.
Lei dos
homens, penso uma vez mais.
Mas eu sigo
a lei da Natureza: Nascer.
Se minha
vida terminar naturalmente,
É porque eu não tinha que ser.
No mais, quero
viver!
Antes pensa em como será amanhã,
Sem teu
amigo que se foi, que não é mais.
Não há vazio mais triste nesta vida.
É triste e dói,
Mesmo sendo
permitido,
Não há lei que apazigue a dor de um pequeno
coração ferido.
Frederico Ferreira
coração ferido.
Frederico Ferreira
sexta-feira, 3 de março de 2017
Bicicleta
Quem olhasse para ele com atenção,
Perceberia alguma coisa de diferente:
A voz não muito clara,
O andar confuso e desconjuntado,
Os membros desproporcionais,
Os esgares involuntários.
Ele subira uma pequena colina empurrando sua bicicleta a pé.
Começou a pedalar e seguiu adiante, morro abaixo.
O corpo pesado e desajeitado para aquela Alma transformara-se.
Foi tomado de um prazer imenso, quase um êxtase.
Não era mais um corpo que seguia,
Era uma Alma que voava.
O sorriso imenso,
os cabelos desalinhados,
O olhar esgazeado de torpor...
O vento!...
Naquele instante, ele conhecera a Liberdade.
Frederico Ferreira
Perceberia alguma coisa de diferente:
A voz não muito clara,
O andar confuso e desconjuntado,
Os membros desproporcionais,
Os esgares involuntários.
Ele subira uma pequena colina empurrando sua bicicleta a pé.
Começou a pedalar e seguiu adiante, morro abaixo.
O corpo pesado e desajeitado para aquela Alma transformara-se.
Foi tomado de um prazer imenso, quase um êxtase.
Não era mais um corpo que seguia,
Era uma Alma que voava.
O sorriso imenso,
os cabelos desalinhados,
O olhar esgazeado de torpor...
O vento!...
Naquele instante, ele conhecera a Liberdade.
Frederico Ferreira
Assinar:
Postagens (Atom)