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domingo, 28 de maio de 2017

Separação

Caminhos distintos separam agora aquelas três almas.
Ao largo da Avenida de dois sentidos,
Em cada um dos lados um carro parado
Preparando-se para o reencontro.  


Não era o canteiro ao centro que os separava,
Nem a entrada para o retorno que os unia.
Tudo ali era separação.
A distância, incalculável.
Um misto de desolação e amargura.


Não era possível sequer o contato visual entre eles,
Aqueles do tipo olho no olho.
Os sonhos de outrora transformaram-se em pesadelos.
Não se imaginaria ali um casal que amou, dormiu e acordou junto.

A criança no banco do passageiro era a única coisa que passaram a ter em comum.


Caminhos opostos e um canteiro nu, frio, de pedra e ferro.
Não há flores nos canteiros da solidão.


Frederico Ferreira