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sábado, 28 de abril de 2018

Canvas

Se a vida fosse uma pintura, quem seria o artista?
Eu jogo com cores e palavras,
Imagens e sons
Pensamentos fugidios, lapsos de razão, loucura.
Por vezes tudo parece tão intenso!
Os pincéis tomam conta, eles mesmos, dos movimentos,
Definem contornos, nuances,
Na vertigem dos olhos que não veem,
Confiando apenas nas mãos que sentem.

Ao longe, cores suaves, mas o horizonte é certo.
Brilha nele a luz do Sol,
Que compartilha sua cor com tudo.
No amanhecer do meu quadro, eu ouço pássaros
Que não se mostram.
Estão todos escondidos nas copas das árvores.
Penso que talvez um lago ou
Uma paragem... — eu quero paz.

Meu quadro, para não dizer minha existência,
Só será inteiro quando as flores
Dominarem o jardim — Dentro de mim não mora o deserto.
Entre suspiros e pinceladas,
Atos humanos transformam o que era divino
Mudando a paisagem.
Minhas lágrimas dissolvem com
Sua ternura
A aquarela seca e dura nas telas da vida
E, como gotas de chuva, caem sempre no lugar certo,
Porque eu vivo e sinto a imagem que eu projeto.
Minha vida é pintura viva.

Frederico Ferreira

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Ode ao Mar

Que altares divinos a Natureza nos revela?

São matas exuberantes,
Copas altas no céu entrecortadas,
Cadeias de montanhas amontoadas
A desafiar olhares extasiantes.

Vejo as estrelas ao olhar para o céu.
Planetas variados,
Miríades de mundos espalhados
No Universo infinito em seu escuro véu.

Mais perto de mim, outro universo.
Desta vez, finito no acabamento,
Porém cheio de beleza, que o faz diverso.
Me marejam os olhos ao observá-lo por um momento.

Quanta alegria ao ver o mar sinto comigo!
Histórias de família, férias intermináveis.
São facetas da vida, lembranças memoráveis,
Que amá-lo toda a vida parece ser um tempo exíguo.

Tento o Sol como astro matutino,
Irradiando luz, para a vida renovar,
O mar é o grande espetáculo Divino,
Tendo a areia da praia como altar.

Minha vida não poderia ter outra destinação.
É algo que vem de dentro, é inexplicável.
Enche-me de alegria, amor e emoção,
E faz reverberar na alma este amor inesgotável.

Frederico Ferreira

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Montanhas

Porque este fascínio incontrolável por estas montanhas?
O que teriam elas a dizer-me?
Que mensagem, lembrança secular
Me prende à estas paredes de pedra?
Será a beleza que a Natureza encerra em si,
Formas suntuosas cobertas de exuberância?
Ou será mesmo o próprio mistério da Vida
Com seus picos e vales,
Sombras e luzes que se revelam aos meus olhos?

Guardo dentro de mim as minhas Serras.
Montanhas crivadas de esperança
A refletir luz
Nas sombras de meus pecados.
E fios d’água e cachoeiras
Que se dissolvem em orvalho
E fazem germinar flores de boas ações.
Dentro de mim há dias chuvosos e tristes
E que guardam em si a certeza de que tudo se transforma.
Há noite, há lua e há beleza.

Pássaros cantam ofertando-me versos bucólicos
E fins de tarde de luz tênue
Que me deixam melancólico.
Oh Montanhas intermináveis!
Oh vastidão coberta de cores, vida e sonho!
O meu ver-te é tudo o que carrego já comigo.
És a força da Terra a apontar para o Infinito.

Frederico Ferreira
Poços de Caldas - 04.11.2017

sábado, 23 de setembro de 2017

Vive plenamente

Não te deixes abater pelas nuvens negras no horizonte, 
Dentro de ti dorme a luz da conquista. 
É dela que nasce a tua esperança. 
Faz com que esta luz brilhe. 
Projete-a diante de ti no teu caminho. 
Abre as janelas da tua alma para o amanhã; 
O amanhã de novas possibilidades. 
Rega com teu esforço o teu progresso. 
Alimenta-te do fruto destas pequenas sementes 
Que eclodem a cada dia. 
Recolhe a água pura que brota do teu ser. 
Bebe desta água reconfortante. 
E vive plenamente. 

Frederico Ferreira

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Tantos Versos

São tantos versos! 
Tantos! 
Tantos versos que muitos se perdem a cada instante. 
São como sorrisos lançados ao vento, 
Pétalas que nascem e que secam em silêncio. 
Lágrimas ocultas que brotam no coração emotivo. 
Afagos apressados, 
Pensamentos esparsos e logo esquecidos. 

Palavras e canções mudas, porém 
Livres, intensas em sua paixão. 
Versos que se escrevem 
Na imaterialidade do tempo, 
Na fugacidade de olhares furtivos, 
Em sintonia com o instante.

Frederico Ferreira

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Mar profundo

Da respiração triste, surgem janelas embaçadas. 
O reflexo mostra olhares perdidos, 
Preocupados. 
Crianças brincam desprevenidas, 
Desavisadas da tempestade que se aproxima. 
O barco adentra o mar profundo 
Como o sonho extasiante da adolescência. 

Infinita é a vida que se abre no horizonte azul das ondas, 
Enquanto o céu tudo cobre com seu manto sagrado de estrelas. 
Correntes descendentes, 
Arrecifes de ilusão, 
Ventos incertos atrapalham sua rota. 
Das incertezas do caminho, 
O único acalento da alma é que um dia aportará. 

Impotente se vê o nauta que procura desesperadamente 
O céu azul e o mar tranquilo
Ao longe nas vigias. No horizonte,
O mar encapelado, barco encoberto de espuma 
Que tenta seguir seu rumo, 
Em direção ao seu porto seguro. 

Os olhos são as vigias da Alma 
Onde pais, marinheiros castigados pelo tempo, 
Pelo rude açoite das ondas, 
Procuram conduzir seus filhos 
Nas catadupas das paixões bravias. 

Não há bussolas possíveis, 
Astrolábios a buscar rotas demarcadas pelo êxito. 
Tudo se perde no mar profundo do infinito de possibilidades, 
Onde a alma, que busca incessantemente seu caminho, 
Como ventos libertadores de correntes fugidias, 
Traça sua rota. 

Sua liberdade é a própria descoberta de ser livre. 
Sua rota é o próprio caminho que se descortina diante de si, 
No mar infinito. Nesta descoberta, 
Tudo é ímpeto, paixão e aprendizado. 

O nauta quer salvar sua embarcação. 
A única forma possível é o Amor. 

Frederico Ferreira

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Tudo passa

Porque certas horas sinto esta dor no peito,
O coração opresso como num abandono?
Eu vejo as paragens do mundo; tudo me extasia.
Não há porque duvidar do amanhã.

Sim. Tudo na vida passa como um capítulo curto,
Uma melodia que acaba.
A impressão fica.
Eu remoo estas impressões, que viram versos.
Tudo é tão sutil e breve que sequer devo ocupar-me de entender.

Estas linhas dão cor à minha vida.
Nelas que meu sonho repousa.
É nos meus versos que eu sou.

A noite passa insone e triste.
Abre-se diante de mim o silêncio e o infinito:
Lápis e papel em branco.
Aqui encontro a minha cura.


Frederico Ferreira

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Pequeno coração ferido

Meu corpo, teu corpo.
Quão estreito é o limite entre nós.
Vivo no teu universo.
Respiro e me alimento do que é teu
E gravito, dentro de ti,
Como um astronauta.

Eu sonho com a vida lá fora.
Me atento aos ruídos externos.
Tudo é vida dentro e fora de mim.

Não me culpes. Quero viver!
Deixa-me, portanto, sonhar com o amanhã.
Não te deixes levar pelas ideias tortas de liberdade.
Não tenho como contrapô-las.

Lei dos homens. Lei da Natureza.
Uma mutável. A outra, não.
Lembra-te: somos homens, biológicos,
Sentimos dor, temos sentimentos.
Quer-me bem por um momento!

Mãe, não quero nascer antes do tempo
Até porque não sei se consigo viver.
Deixa-me aqui, no seu quentinho.
Dá-me mais tempo para crescer.

Lei dos homens, penso uma vez mais.
Mas eu sigo a lei da Natureza: Nascer.
Se minha vida terminar naturalmente,
É porque eu não tinha que ser.
No mais, quero viver!

Antes pensa em como será amanhã,
Sem teu amigo que se foi, que não é mais. 
Não há vazio mais triste nesta vida.
É triste e dói,
Mesmo sendo permitido,
Não há lei que apazigue a dor de um pequeno 
coração ferido. 

Frederico Ferreira

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Trajetória

Erguei os vossos olhos para adiante, que o Sol brilha.
Brilham também estrelas e os olhos arregalados de vida maravilhados.
Maravilham as águas que caem das montanhas e as torrentes que seguem mudas,
Emudecidas pela calmaria do tempo fluido.
Flui o sangue nas veias do coração acelerado
Que acelera a mente que mente a si e nega
E sonega a verdade da vida que vê, que sente e escuta.

Continuai com a vossa alma suspirante a busca
Mesmo através do nada que não se vê quando é observado – ainda que sendo um caminho -
E observa que tudo respira na mesma ordem, uníssono, no fluxo
Que flui fluindo vida, beleza, imensidão, amor!.
Amai, portanto, indistintamente o Universo e o Criador;
O lar da vida que vive o tempo quase infinito e
Aquele que, da Vontade, cria e recria e transforma a vida.

Sim, tudo teve um começo e tem um fim.
Não o fim do começo, mas finalidade
Que nos envolve através da verdade que aos poucos se desvela.
Vida, morte - morte da matéria! - porque enquanto vida e Criação Divina,
Respira em nós a centelha que jamais se apaga
É alma, é eterna!
A mesma chama que brilha no homem civilizado e no homem da caverna.

São nas transmigrações sucessivas, de mundos e de vidas
Que vamos nos aproximando do Criador.
Veja que Luz, que sabedoria infinita
Que nos dá muitas chances de vida, para aprender e evoluir!
Não nasce do verme a borboleta?
Não se esforça a semente na cova bendita?
Guardamos em nós também a essência divina, pronta para eclodir.

Olhai para o lado, vede quão diferentes são os caracteres e as gentes
Cada um com seu valor e aptidões diferentes,
Outros tantos com virtudes e torpezas inatas.
São almas que se educaram e continuam se educando
Aos poucos, imersas na matéria bruta.
Aos poucos aprendendo que o caminho do Santo
É de dor, de renúncia, de fé, de esperança e de luta.


Frederico Ferreira