Minha alma é pequena diante do infinito,
Da planície infinita.
Brilham meus olhos no espelho d’água,
Sopra meu fôlego o sopro de vida.
Tudo está aqui para mostrar-me o quanto sou pequeno,
O quanto nada valho.
A criação, na sua ordem, prescinde do homem.
Não é nossa vontade que faz reger a vida,
Ainda que com máquinas, desejo
E força
Mudemos o mundo.
Tudo estará e os rios continuarão
Caudalosos e intensos,
As árvores frondosas e as matas
Densas.
Agora eu quero pertencer a tudo isto.
E deixar minha vida fluir, como num rio.
E deixar a luz refletir sobre mim.
Sou melhor quando meu ânimo não se turva.
Esta corrente me leva ao longe
Como o fulgor de pensamentos elevados.
Já não me pertenço quando me deixo fluir.
Sou força constante a renovar vida e ideias.
Sou criação e ímpeto e
Sedimento e ilha
E folha que
Navega.
Oh Natureza!
Oh! beleza da vida
Revelada por Deus
Para relembrarmos a nossa essência!
Dá-me força para continuar a crescer e
A vencer.
Dá-me tua seiva!
E faz-me transmutar na renovação de tudo o que é nobre.
Na força viva do verso
E na corrente que vence obstáculos e passa
E segue,
Sempre adiante.
Frederico Ferreira
Poconé, MT
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sábado, 20 de abril de 2019
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Renovação
De todas as horas,
De todas as palavras,
A que mais me toca agora é Renovação.
Não há como deixar de perceber as pétalas
Que secam, renovando-se.
Não há como não celebrar a vida nova
Que se espraia no vermelho vivo,
No verde forte e ao mesmo tempo
Suave das folhas que renascem.
Basta apenas um novo dia,
A brisa que sopra alimentando de vida.
Oh! Como é necessário que esta mesma brisa
Nos distancie do que é ruim,
Das folhas velhas e gastas,
Endurecidas pelo tempo,
Rugosas e ásperas às vezes
Como experiências caducas ou mal vividas,
Como lembranças de holocaustos e de dores,
Ainda que para trazer à vida perfume.
É a força de viver que convida o que é ruim e velho
A cair
E a renovar-se em outro canto,
Ainda que nada se perca
Visto que a flor continue do velho renovado
A se nutrir.
Frederico Ferreira
De todas as palavras,
A que mais me toca agora é Renovação.
Não há como deixar de perceber as pétalas
Que secam, renovando-se.
Não há como não celebrar a vida nova
Que se espraia no vermelho vivo,
No verde forte e ao mesmo tempo
Suave das folhas que renascem.
Basta apenas um novo dia,
A brisa que sopra alimentando de vida.
Oh! Como é necessário que esta mesma brisa
Nos distancie do que é ruim,
Das folhas velhas e gastas,
Endurecidas pelo tempo,
Rugosas e ásperas às vezes
Como experiências caducas ou mal vividas,
Como lembranças de holocaustos e de dores,
Ainda que para trazer à vida perfume.
É a força de viver que convida o que é ruim e velho
A cair
E a renovar-se em outro canto,
Ainda que nada se perca
Visto que a flor continue do velho renovado
A se nutrir.
Frederico Ferreira
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
Renascimento
Não é a montanha que mata.
Montanha verde. Agora de lama e pedra
E de sangue ferroso que,
De coração parado, embora consciente, porém
Quase sem vida, estagnado
No seu sulco,
Apenas sangra.
E foi nessa hemorragia que
Se viu ruir
A pedra,
E lavar como a glória de quem se liberta
Da morte,
O renascer na vida dos outros.
Não sobrou muita coisa!
Neste espetáculo hediondo de tentar
Reviver matando, e de
Fazer sofrer sofrendo,
Porque a vida é benção que se preserva e se
Mantém,
Quis a Natureza deixar a sua marca:
Onde havia ainda beleza para olhar,
Não sobrou nada mais que ganga
E nostalgia, e
Dor e reflexão,
E lágrimas para se poder chorar.
Frederico Ferreira
Em homenagem às vítimas de Brumadinho.
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Questionamentos
Entender é a palavra.
Entender!
Entender qual a força que nos une
Ainda que guardemos, dentro de nós, tamanha
intemperança.
Os opostos se manifestam no mundo,
Como metáforas aterradoras!
São vales que desafiam montanhas
Águas que da pedra brotam
É a terra que, de suas entranhas,
Através dos vulcões lavas soltam.
São rios que, em suas torrentes,
A desafiar a seca que se inicia,
Vertem a água que propicia
O verdejar do solo, em beleza envolvente.
Florestas exuberantes, de infinita beleza
Que, a despeito da serra que a fere,
Há uma força intrínseca da vida que tudo gere
E que sempre faz recuperar sua grandeza
Entender, volto a palavra
E não sei onde vou chegar
Neste Brasil de miseráveis, de pessoas
Esperançosas
Há tantos vultos, gente mal-intencionada, viciosas que
Para defender a igualdade, criam
Divisão.
Antes, éramos uma única nação.
Agora, somos dezenas de grupamentos!
Cada qual com sua espada, em regimentos
A lutar na arena dos ideais, em revolução.
O que fazer, entretanto?
Oh Cabral! Enxuga-me o pranto se
Ao longe, das caravelas,
Não vislumbraste um povo bom e sonhador
E árvores que, como capelas,
Já guiavam olhares para o Alto,
Ao Criador!
O que fazer, ante o irremediável porvir?
Digladiarmo-nos, talvez! Mas, ao refletir,
Não perder de nós o que há de bom:
A vontade de crescer, mas de conseguir unir, das
Diferenças, a construção.
Sejamos, pois, simplesmente brasileiros!
Amemos a Pátria do Cruzeiro.
Empunhemos a bandeira verde-louro
E conservemos, para o futuro, nosso tesouro:
— A força da nossa união.
Frederico Ferreira
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Montanhas
Porque este fascínio incontrolável por estas
montanhas?
O que teriam elas a dizer-me?
Que mensagem, lembrança secular
Me prende à estas paredes de pedra?
Será a beleza que a Natureza encerra em si,
Formas suntuosas cobertas de exuberância?
Ou será mesmo o próprio mistério da Vida
Com seus picos e vales,
Sombras e luzes que se revelam aos meus olhos?
Guardo dentro de mim as minhas Serras.
Montanhas crivadas de esperança
A refletir luz
Nas sombras de meus pecados.
E fios d’água e cachoeiras
Que se dissolvem em orvalho
E fazem germinar flores de boas ações.
Dentro de mim há dias chuvosos e tristes
E que guardam em si a certeza de que tudo se
transforma.
Há noite, há lua e há beleza.
Pássaros cantam ofertando-me versos bucólicos
E fins de tarde de luz tênue
Que me deixam melancólico.
Oh Montanhas intermináveis!
Oh vastidão coberta de cores, vida e sonho!
O meu ver-te é tudo o que carrego já comigo.
És a força da Terra a apontar para o Infinito.
Frederico Ferreira
Poços de Caldas - 04.11.2017
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Chuva
São infinitas as folhas que balançam ao vento.
Infinitas as gotas de chuva que se perdem no solo seco e triste.
Tudo é ciclo, balanço e movimento – transformação.
Sinfonia da Natureza a impressionar o ouvido humano,
O coração humano.
Que sopre em nós a mudança que não tarda: renovação.
Que chova sobre nós e nos umedeça
O coração trincado.
E lá, nova planta, um dia, floresça.
Frederico Ferreira
Infinitas as gotas de chuva que se perdem no solo seco e triste.
Tudo é ciclo, balanço e movimento – transformação.
Sinfonia da Natureza a impressionar o ouvido humano,
O coração humano.
Que sopre em nós a mudança que não tarda: renovação.
Que chova sobre nós e nos umedeça
O coração trincado.
E lá, nova planta, um dia, floresça.
Frederico Ferreira
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Pequeno coração ferido
Meu corpo,
teu corpo.
Quão estreito é o limite entre nós.
Vivo no teu
universo.
Respiro e me
alimento do que é teu
E gravito,
dentro de ti,
Como um
astronauta.
Eu sonho
com a vida lá fora.
Me atento
aos ruídos externos.
Tudo é vida – dentro e fora de mim.
Não me culpes. Quero viver!
Deixa-me,
portanto, sonhar com o amanhã.
Não te deixes levar pelas ideias
tortas de liberdade.
Não tenho como contrapô-las.
Lei dos
homens. Lei da Natureza.
Uma mutável. A outra, não.
Lembra-te: somos
homens, biológicos,
Sentimos
dor, temos sentimentos.
Quer-me bem
por um momento!
Mãe, não quero nascer antes do tempo
Até porque não sei se consigo viver.
Deixa-me
aqui, no seu quentinho.
Dá-me mais tempo para crescer.
Lei dos
homens, penso uma vez mais.
Mas eu sigo
a lei da Natureza: Nascer.
Se minha
vida terminar naturalmente,
É porque eu não tinha que ser.
No mais, quero
viver!
Antes pensa em como será amanhã,
Sem teu
amigo que se foi, que não é mais.
Não há vazio mais triste nesta vida.
É triste e dói,
Mesmo sendo
permitido,
Não há lei que apazigue a dor de um pequeno
coração ferido.
Frederico Ferreira
coração ferido.
Frederico Ferreira
sábado, 20 de maio de 2017
Mantiqueira, musa do Vale
Os galhos das Araucárias
São o berço de minha alma apaixonada.
Elas são a imponência viva
Da Serra interminável da Mantiqueira.
Eu, da Vila indômita do Piquete,
Paulista, porém "mineiro cansado" de nascença,
- O que me confere dupla cidadania –
Observo de longe a Grande Muralha
De onde meu coração suspira lembranças da mocidade!
Oh! Quantas tardes a viajar olhando tudo aquilo.
A imaginar, de longe, o pranto
Que conduz suas frias lágrimas
No doce correr das cachoeiras!
E eu, que já pensei que essa contemplação seria para sempre!
Para quase sempre, sem dúvida,
Porque a vida dos mortais muda,
Enquanto a Terra conta Eternidades.
Contigo ao largo,
Nem precisaríamos elevar o pensamento ao Alto
Para perceber o quanto tudo é grandioso:
Desde sua sombra que se projeta por todo o Vale
Até a noite muda que desvela galáxias infinitas!
Enquanto tiver voz, cantarei a ti, Serra amiga.
E lembrarei sempre do entardecer dourado,
Da riqueza emoldurada em formas,
Maravilhosa Musa do Vale!
Beleza inefável de cores e de Vida.
Gonçalves, MG
Frederico Ferreira
São o berço de minha alma apaixonada.
Elas são a imponência viva
Da Serra interminável da Mantiqueira.
Eu, da Vila indômita do Piquete,
Paulista, porém "mineiro cansado" de nascença,
- O que me confere dupla cidadania –
Observo de longe a Grande Muralha
De onde meu coração suspira lembranças da mocidade!
Oh! Quantas tardes a viajar olhando tudo aquilo.
A imaginar, de longe, o pranto
Que conduz suas frias lágrimas
No doce correr das cachoeiras!
E eu, que já pensei que essa contemplação seria para sempre!
Para quase sempre, sem dúvida,
Porque a vida dos mortais muda,
Enquanto a Terra conta Eternidades.
Contigo ao largo,
Nem precisaríamos elevar o pensamento ao Alto
Para perceber o quanto tudo é grandioso:
Desde sua sombra que se projeta por todo o Vale
Até a noite muda que desvela galáxias infinitas!
Enquanto tiver voz, cantarei a ti, Serra amiga.
E lembrarei sempre do entardecer dourado,
Da riqueza emoldurada em formas,
Maravilhosa Musa do Vale!
Beleza inefável de cores e de Vida.
Gonçalves, MG
Frederico Ferreira
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