O vento frio da noite sopra sobre o meu rosto.
Estrelas ao longe – que nada mais são do que
Luzes que transbordam de si mesmas no espaço escuro e infinito –
Dão-me a noção exata da vastidão e perenidade da vida.
Como tudo é tão imenso!
Como o perfume simples das flores do campo,
Ou a brisa do mar,
No vaguear lento e interminável das ondas que
Transportam meu pensamento ao longe
Me consolam!
O vazio que às vezes toma conta de minh‘alma
É vastamente preenchido por este movimento contínuo da vida.
Na natureza, não há temores sobre o amanhã.
Mesmo no caos - que o homem,
Efêmero na sua apreciação e que
Julga explicar tudo negativamente por sua visão adstrita -
Repousa a ordem que não se vê.
A ordem harmônica do Universo.
Universo inacabado, porque se movimenta e se transforma.
Dentro de mim pulsa a origem divina das coisas;
Fora de mim, a brisa bate em meu rosto e
Sinto todo o movimento à minha volta.
O vazio que sinto é a vontade da alma que
Quer ser livre e participar de tudo isso:
A de ser também brisa que movimenta e transforma.
Presa no corpo, ela ainda não consegue senão apenas sentir
E sonhar.
Frederico Ferreira
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sexta-feira, 13 de abril de 2018
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Trajetória
Erguei os
vossos olhos para adiante, que o Sol brilha.
Brilham
também estrelas e os olhos arregalados de vida maravilhados.
Maravilham
as águas que caem das montanhas e as torrentes que seguem mudas,
Emudecidas
pela calmaria do tempo fluido.
Flui o
sangue nas veias do coração acelerado
Que acelera
a mente que mente a si e nega
E sonega a
verdade da vida que vê, que sente e escuta.
Continuai
com a vossa alma suspirante a busca
Mesmo
através do nada que não se vê quando é observado – ainda que sendo um caminho -
E observa
que tudo respira na mesma ordem, uníssono, no fluxo
Que flui
fluindo vida, beleza, imensidão, amor!.
Amai,
portanto, indistintamente o Universo e o Criador;
O lar da
vida que vive o tempo quase infinito e
Aquele que,
da Vontade, cria e recria e transforma a vida.
Sim, tudo
teve um começo e tem um fim.
Não o fim
do começo, mas finalidade
Que nos
envolve através da verdade que aos poucos se desvela.
Vida, morte
- morte da matéria! - porque enquanto vida e Criação Divina,
Respira em
nós a centelha que jamais se apaga
É alma, é
eterna!
A mesma
chama que brilha no homem civilizado e no homem da caverna.
São nas
transmigrações sucessivas, de mundos e de vidas
Que vamos
nos aproximando do Criador.
Veja que
Luz, que sabedoria infinita
Que nos dá
muitas chances de vida, para aprender e evoluir!
Não nasce
do verme a borboleta?
Não se
esforça a semente na cova bendita?
Guardamos
em nós também a essência divina, pronta para eclodir.
Olhai para
o lado, vede quão diferentes são os caracteres e as gentes
Cada um com
seu valor e aptidões diferentes,
Outros
tantos com virtudes e torpezas inatas.
São almas
que se educaram e continuam se educando
Aos poucos,
imersas na matéria bruta.
Aos poucos aprendendo
que o caminho do Santo
É de dor, de
renúncia, de fé, de esperança e de luta.
Frederico
Ferreira
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