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terça-feira, 13 de novembro de 2018

Vamos falar do Amor!

Vamos falar do Amor!
Da beleza intrínseca da vida,
De beijos de mães e abraços intermináveis de quem
Quer bem.
Sim! Querer bem como a própria vida que
Entre flores e espinhos,
Ondas e calmarias,
Ventos, Sol e tempestade,
Ninhos se escondem
Protegendo filhotes.
Amor,
Ainda que ímpeto de cuidado
Sentimento irracional e instintivo,
É divino, incalculável,
Por vezes, impenetrável.
Em vias de percebê-lo, materializamos o Amor?
O divinizamos?
Quem sabe entre corpos, a duras penas, se revele?
Ou, mesmo, nos umbrais das Capelas!
Não importa! Qual seja,
Falemos do Amor e não da guerra interior.
Falemos de construção,
De edificação de consciências,
Do fortalecimento de laços.
Da busca da harmonia.

Falemos do Amor e seus matizes.
Espetáculo da vida em esplendor.
Que do silêncio que cala,
Do perfume que exala,
A beleza de uma flor,
Tudo se resume à uma mesma expressão:
É hausto divino, palavra pequena e poderosa,
que mesmo duro, às vezes
Como o espinho de uma rosa,
Protege, ensina, recupera.
Voltemos o olhar para a fera, o homem-fera que,
Como todos, caminha para a Luz.
É espinho, cerviz dura que nunca verga,
Que se ama muito e não enxerga
Que amar-se não é satisfazer-se.
É antes reconhecer-se digno de perdão.

Falemos, portanto, do Amor!
Haja mais amor em nossas vidas!
Cuidemos de nós mesmos
Ou de quem está à nossa volta.
Calemos em nós toda a revolta
À vida,
E busquemos mais sentir.
O Amor é semente que se planta
No coração de quem semeia.
É flor que nasce pequena
Depois se agiganta,
Embelezando o porvir.

Frederico Ferreira

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Sobre o amor

Do que é feito o amor?
De que substância?
Será ele o corpo que fala à outro corpo
Nos olhares furtivos que se entrecruzam,
Ou o encanto pelos cabelos negros, brilhantes e soltos,
Revoltos ao vento?
Quem sabe será ele de carne e osso,
Corporal e intenso no tocar dos corpos
E mãos que afagam e apoiam,
Uma e outra, juntas, seu destino?
Recorro ao olhar.
Olhar que me vê e que aponta,
junto com o meu, para o infinito.
Quando penso em infinito,
Já não há no amor materialidade,
Mas união absoluta,
Onde almas imortais que, mergulhadas no éter,
Caminham juntas, em sintonia,
Em busca de um mesmo fim.

Frederico Ferreira

para a Musa Perpétua, Poliane C. 

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Lealdade

De todas as praias selvagens 
Emolduradas por montanhas e pequenos vales, 
É em ti que eu habito. 
Tu me acolheste com carinho 
Eu, gaivota indomável, de pensamentos 
Infinitos, 
De sentimentos 
Infinitos. 
Ao largo de ti tenho confiança nas correntes: Meu voo 
é sempre seguro. A mim 
Não me inquietam as tempestades. 
Pouso em tua areia tenra, 
Teu calor me acalma. 

Neste movimento de cores, forças e de sons 
Que é o mundo, 
Tuas mãos carinhosas me envolvem 
Nas incertezas e desafios que nos acompanham. 
Oh! Carinho doce, 
Pérola de vida a refletir esperança 
Nos primeiros raios da Aurora, 
Enquanto durarem as forças destas asas,
Estarei contigo.
E nossa história será lembrada 
Eternamente,
Pelas ondas que não cessam 
Jamais. 

Frederico Ferreira

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Cuidar de seu jardim

Quanta esperança depositada nas gotas
Que sutilmente molham as plantas.
O olhar atento, buscando lavar a poeira das folhas
Na manifestação sublime do carinho de quem cuida,
É como o derramar de sentimento
Que liberta da beleza as secas pétalas,
Como dores cristalizadas
Remoídas de Sol a Sol e
Amareladas pelo tempo.

Talvez esta metáfora da vida,
Que o cuidar de seu jardim,
Seja também o cuidar de quem se ama.
E que o regar com o olhar, com o zelo,
O adubar com amor para florescer o porvir
E curar folhas secas com a água do sentimento,
Carreguem em si a mesma essência:
Amar e cuidar das plantas, dos jardins, da vida, das pessoas,
É como transbordar-se e sentir-se parte
De um mesmo todo em harmonia
Na lei única de Amor que em tudo pulsa e
Tudo muda.

Frederico Ferreira

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Gratidão

O que teria sido de mim sem ti? 
Eu não precisei tatear a distância para encontrar-te. 
Tu estavas sempre próximo de mim. 
Mais que um pai, um guia; 
Mais que uma luz, um farol. 
Um amigo. Laço indelével na eternidade! 

O amor que zela não é fortuito. 
É construção interminável no tempo. 
Sempre forte, positivo, 
Acalentador de esperanças e de sonhos. 
Braço forte na dificuldade. 

Tua presença já não faz sombra ao meu lado. 
Embora longe, guardo tua lembrança dentro de mim. 
Tudo é tão etéreo, mas ao mesmo tempo intenso. 
Harmonia e leveza do voo das gaivotas, 
Que têm sempre o azul imenso à sua volta. 

O mar é a melhor lembrança que tenho de ti. 
Companheiro de mergulhos e de ondas, 
Cuja alegria era a de simplesmente lá estar. 
Quanto ensinamento neste amar sem pretensões, 
Em usar o tempo para a doação pura aos netos. 
Quanto aprofundamento de sentimentos naqueles verões intermináveis! 
Preciso pisar na areia da praia para reviver tudo isso 
Com sua verdadeira intensidade. 

Mas mão importa onde eu esteja,
Carrego comigo teu sangue e tua história. 
Fazes-te presente em muito do que sou. 
Luz da minha vida 
A guiar-me em minha trajetória. 

Frederico Ferreira

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Mar profundo

Da respiração triste, surgem janelas embaçadas. 
O reflexo mostra olhares perdidos, 
Preocupados. 
Crianças brincam desprevenidas, 
Desavisadas da tempestade que se aproxima. 
O barco adentra o mar profundo 
Como o sonho extasiante da adolescência. 

Infinita é a vida que se abre no horizonte azul das ondas, 
Enquanto o céu tudo cobre com seu manto sagrado de estrelas. 
Correntes descendentes, 
Arrecifes de ilusão, 
Ventos incertos atrapalham sua rota. 
Das incertezas do caminho, 
O único acalento da alma é que um dia aportará. 

Impotente se vê o nauta que procura desesperadamente 
O céu azul e o mar tranquilo
Ao longe nas vigias. No horizonte,
O mar encapelado, barco encoberto de espuma 
Que tenta seguir seu rumo, 
Em direção ao seu porto seguro. 

Os olhos são as vigias da Alma 
Onde pais, marinheiros castigados pelo tempo, 
Pelo rude açoite das ondas, 
Procuram conduzir seus filhos 
Nas catadupas das paixões bravias. 

Não há bussolas possíveis, 
Astrolábios a buscar rotas demarcadas pelo êxito. 
Tudo se perde no mar profundo do infinito de possibilidades, 
Onde a alma, que busca incessantemente seu caminho, 
Como ventos libertadores de correntes fugidias, 
Traça sua rota. 

Sua liberdade é a própria descoberta de ser livre. 
Sua rota é o próprio caminho que se descortina diante de si, 
No mar infinito. Nesta descoberta, 
Tudo é ímpeto, paixão e aprendizado. 

O nauta quer salvar sua embarcação. 
A única forma possível é o Amor. 

Frederico Ferreira

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Pequeno coração ferido

Meu corpo, teu corpo.
Quão estreito é o limite entre nós.
Vivo no teu universo.
Respiro e me alimento do que é teu
E gravito, dentro de ti,
Como um astronauta.

Eu sonho com a vida lá fora.
Me atento aos ruídos externos.
Tudo é vida dentro e fora de mim.

Não me culpes. Quero viver!
Deixa-me, portanto, sonhar com o amanhã.
Não te deixes levar pelas ideias tortas de liberdade.
Não tenho como contrapô-las.

Lei dos homens. Lei da Natureza.
Uma mutável. A outra, não.
Lembra-te: somos homens, biológicos,
Sentimos dor, temos sentimentos.
Quer-me bem por um momento!

Mãe, não quero nascer antes do tempo
Até porque não sei se consigo viver.
Deixa-me aqui, no seu quentinho.
Dá-me mais tempo para crescer.

Lei dos homens, penso uma vez mais.
Mas eu sigo a lei da Natureza: Nascer.
Se minha vida terminar naturalmente,
É porque eu não tinha que ser.
No mais, quero viver!

Antes pensa em como será amanhã,
Sem teu amigo que se foi, que não é mais. 
Não há vazio mais triste nesta vida.
É triste e dói,
Mesmo sendo permitido,
Não há lei que apazigue a dor de um pequeno 
coração ferido. 

Frederico Ferreira