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terça-feira, 8 de maio de 2018

Poema de Aniversário

São tão eloquentes as manifestações de carinho!
Meu coração se assombra
Pelas palavras de amor e amizade,
Votos de realizações e felicidade.
Minha alma quase já não cabe em meu corpo.
Chego a pensar: o que seria uma vida sem amigos?
Como seria possível, apesar de toda a beleza do mundo,
Ter de percorrer ainda passagens inusitadas cheias de cascalhos,
Montanhas de pedra bruta
E floresta densa e a escuridão
Da noite se,
Junto de nós, não houvesse ninguém?

Amigos queridos,
Sua presença completa a minha vida.
Ao lado de mim,
Vejo tantos braços que se apoiam
Tantos ombros que cedem espaços a lágrimas e
Juntos, confortando-nos, todos caminhamos
Adiante.

Ao passo que o corpo se fragiliza,
A vista escurece,
O sentimento se fortalece e
A alma, se harmoniza.
Porque então temer o futuro?
Bastaria olhar no fundo dos olhares amigos
E recolher, da chama que neles brilha,
A luz do caminho que temos que percorrer.

Frederico Ferreira

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Pedras

Ao longo do caminho, o objeto imóvel.
Dir-se-ia uma pedra,
Mas não um obstáculo.
Minha vontade de ir adiante é mais forte do que ela.
Ao alcançá-la, transcendo ao outro lado e continuo.
Minha vontade de seguir, é a própria força em movê-la.

A pedra em si não tem culpa de nada.
Culpa teria eu em não seguir adiante,
Em fitar o imóvel como um ser absoluto,
Pensando ele cheio de si e vontade.

Eu não tenho medo de pedras.
Elas fazem mais vivo e intenso o meu caminho.
Longe de mim, elas parecem obstáculos.
Depois de mim, elas são passagem. 

Frederico Ferreira

terça-feira, 10 de outubro de 2017

O Redentor

Cumpriste tua promessa:
Foste adorar o Cristo Redentor
No altar de Botafogo.
Perguntas no teu íntimo
Como pode ser uma baía dessas,
Linda, abençoada em sua essência,
Como que recortada por mãos carinhosas,
Quase uma reverência ao Criador?

Na areia da praia sentes a força de tudo isto.
Toda a história se desenrola sobre os teus pés através das ondas.
Fechas teus olhos e vês as caravelas chegando,
Vês as batalhas de reconquista
Vês navios de sofrimento, cheios de escravos.
Vês navios de esperança também, navios de acolhimento.

Percebes que a destinação do Rio é o esplendor e a alegria.
Não há como legar tanta beleza para a dor.
Que esta prece alcance os pés do Redentor,
E faça brilhar no coração do carioca
A esperança de um novo dia.

Frederico Ferreira

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Trajetória II

I

Eu caminho sozinho pelos desertos de minhalma.
No meio dele, dunas imensas,
Paixões imensuráveis,
Que se movimentam à força dos acontecimentos.

Meu deserto sou eu.

Um livro marca o roteiro que conduz ao objetivo.
As dunas se movimentam.
Não obstante, quando olho para trás,
Vejo todos os meus passos meu passado!

É ele que me afasta de meu destino.

II

Eu não posso temer cruzar as minhas vastidões.
Não me pode vencer o cansaço de descortinar-me.
Guardo comigo histórias dos que já estão adiante na descoberta de si.
Eles me inspiram e dão-me confiança à cada passo.

III

Oásis, oásis múltiplos!
Ilhas de esperança e refazimento desde os confins de minha história.
Deixa-me refrescar as feridas dalma em tuas águas claras
Enquanto o vento brando
Recupera reminiscências e a confiança.

Já ouço a voz consoladora do Rabi,
Contemplo a beleza dourada dos lírios;
Assombra-me a fé miúda e forte,
Sinto a amizade e o amor puros.

Ao pé de Ti Mestre,
Tudo é recomeço, esperança
E continuidade. 

Frederico Ferreira

domingo, 26 de março de 2017

Aos Mestres

Abri bem os vossos olhos, aí chegam os vossos tutelados.  Nem todos, entretanto, possuem o mesmo espírito. Suas almas carregam a intemperança de seus lares, a dureza das ruas. O excesso de informação ou a falta de zelo fizeram com que naqueles corpos infantis nascessem jovens despreparados. A turba se agita, como se fossem iniciar uma grande festa. Os bancos da escola vão sendo ocupados um a um.

Guardai fortemente a vossa esperança no futuro, visto que para muitos é a única que existe. Mesmo sem saber, alguma coisa os move para a escola, como alguém que procura um rumo para si.  Eles, porém, têm que lutar contra os seus corações rebeldes e ainda cheios de sonhos, que insistem em viver na irresponsabilidade. Eles precisam de alguém que os acolha.

Tende coragem! É preciso coragem para arar o solo da ignorância transformando-o em algo bom. Como já ouvistes desta história, nem todas as sementes cairão sobre solo fértil. Algumas mesmo cairão sobre corações de pedra, incapazes de fazer florescer em si qualquer coisa.  No entanto, mesmo as sementes ressecadas e o vosso esforço em cultivá-las deixarão marcas indeléveis naqueles corações. Outros tantos, com seus corações arenosos, dos tipos que não conseguem fincar raízes, se perderão no meio do caminho.  Um grande impulso será visto no começo, o desabrochar da semente que insiste em eclodir, mas despois virá o desânimo, a tristeza, o abandono de si mesmos.  Outros, talvez porque ainda despreparados para a luz do conhecimento, preferirão jactar-se do que aprenderam, esquecendo-se de outra máxima que preconiza que o mínimo conhecimento abre espaço para dimensionar o verdadeiro tamanho de nossa ignorância. Estes se esquecem que à sombra de si mesmos, assim como as plantas, nada se desenvolve. Não saberão olhar para fora de si, buscando o bem comum e, pelo mecanismo essencial da vida, por si mesmos serão condenados.  

Todas as sementes e todos os solos são importantes. Entretanto, será através dos corações generosos e humildes daqueles pequenos que miram no horizonte os seus objetivos, que vereis florescerem campos e flores de todos os matizes.

Não desistais! Lembrai que depois da mãe e do pai que nos facilitaram os meios essenciais da vida, foram os mestres que nos guiaram para fazer-nos ser o que somos. Olhai ao vosso redor. Tudo o que o homem construiu tem um pouco de vós: da linha que escreve, ao traçado dos edifícios. Do tecido que protege, ao remédio que cura. Da enxada que cultiva, ao prato que alimenta.

Sois cultivadores da alma e do conhecimento. Sois os pais do futuro. Dai de si e olhai mais além. Deixai cair indistinta e fartamente sobre todos as vossas sementes.


Frederico Ferreira