Navegamos à sós, pequenos barcos levados inocentes pela corrente?
Oh quanta coragem para vencer o infinito!
O mar é a própria metáfora da imensidão do universo.
Sopram os ventos, anunciam-se as tempestades,
Como se estivéssemos prontos a sucumbir a qualquer instante,
Perecíveis que somos.
O Sol nos guia, como a própria força que nos une,
Plantas e homens numa mesma direção: A Luz.
A certeza do êxito, no entanto, não está fora.
Está no barco
Que repousa sobre a água, a enfrenta, transpondo barreiras.
Para ir adiante, o capitão tem que ter confiança em sua embarcação,
Em seu motor que, como o coração em seu peito,
Bombeando sangue e força aos seus braços,
Não pode também parar.
Qual direção a seguir? Qual a rota
Quando não se sabe ao certo onde se vai chegar?
Seguir as estrelas?
Olho para o céu, azul como um manto divino,
Como um convite à paz para os corações cheios de perguntas,
E vazios de respostas.
Volto às correntes,
Aos ventos que sopram, renovando o ar.
Em minha embarcação pulsa a alma imortal, a coragem e a fé,
A vontade de buscar, de atravessar o vazio.
O vazio de respostas que,
Quando a viagem termina, já as temos todas.
Porque viver não é nada além de cruzar o mar desconhecido
Vencendo intempéries,
Suportando tormentas,
Mas com a indelével certeza de novas enseadas,
Praias tranquilas e terra firme
E a certeza do dever cumprido.
Frederico Ferreira
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sexta-feira, 30 de novembro de 2018
terça-feira, 14 de agosto de 2018
Voar
Qual será a certeza do pássaro
Quando ensaia o primeiro voo de sua
Vida?
O que talvez o mova
Entre o abismo desconhecido, a morte
E o sonho
Sustentado pelo desejo de liberdade?
A certeza em suas asas!
Assim sonha a lagarta que
Ainda não as conhece.
Ela rasteja e passa lentamente
Pela vida
Guardando-se dos acidentes,
Preservando-se,
Galgando e amadurecendo no tempo
O seu destino.
Empós aguardar o momento oportuno,
No vir a ser o que se é
Em sua essência,
Seu corpo volita.
Para voar, é preciso ter fé.
Frederico Ferreira
Quando ensaia o primeiro voo de sua
Vida?
O que talvez o mova
Entre o abismo desconhecido, a morte
E o sonho
Sustentado pelo desejo de liberdade?
A certeza em suas asas!
Assim sonha a lagarta que
Ainda não as conhece.
Ela rasteja e passa lentamente
Pela vida
Guardando-se dos acidentes,
Preservando-se,
Galgando e amadurecendo no tempo
O seu destino.
Empós aguardar o momento oportuno,
No vir a ser o que se é
Em sua essência,
Seu corpo volita.
Para voar, é preciso ter fé.
Frederico Ferreira
sexta-feira, 27 de julho de 2018
Lealdade
De todas as praias selvagens
Emolduradas por montanhas e pequenos vales,
É em ti que eu habito.
Tu me acolheste com carinho
Eu, gaivota indomável, de pensamentos
Infinitos,
De sentimentos
Infinitos.
Ao largo de ti tenho confiança nas correntes: Meu voo
é sempre seguro. A mim
Não me inquietam as tempestades.
Pouso em tua areia tenra,
Teu calor me acalma.
Neste movimento de cores, forças e de sons
Que é o mundo,
Tuas mãos carinhosas me envolvem
Nas incertezas e desafios que nos acompanham.
Oh! Carinho doce,
Pérola de vida a refletir esperança
Nos primeiros raios da Aurora,
Enquanto durarem as forças destas asas,
Estarei contigo.
E nossa história será lembrada
Eternamente,
Pelas ondas que não cessam
Jamais.
Frederico Ferreira
Emolduradas por montanhas e pequenos vales,
É em ti que eu habito.
Tu me acolheste com carinho
Eu, gaivota indomável, de pensamentos
Infinitos,
De sentimentos
Infinitos.
Ao largo de ti tenho confiança nas correntes: Meu voo
é sempre seguro. A mim
Não me inquietam as tempestades.
Pouso em tua areia tenra,
Teu calor me acalma.
Neste movimento de cores, forças e de sons
Que é o mundo,
Tuas mãos carinhosas me envolvem
Nas incertezas e desafios que nos acompanham.
Oh! Carinho doce,
Pérola de vida a refletir esperança
Nos primeiros raios da Aurora,
Enquanto durarem as forças destas asas,
Estarei contigo.
E nossa história será lembrada
Eternamente,
Pelas ondas que não cessam
Jamais.
Frederico Ferreira
sábado, 28 de abril de 2018
Canvas
Se a vida fosse uma pintura, quem seria o artista?
Eu jogo com cores e palavras,
Imagens e sons
Pensamentos fugidios, lapsos de razão, loucura.
Por vezes tudo parece tão intenso!
Os pincéis tomam conta, eles mesmos, dos movimentos,
Definem contornos, nuances,
Na vertigem dos olhos que não veem,
Confiando apenas nas mãos que sentem.
Ao longe, cores suaves, mas o horizonte é certo.
Brilha nele a luz do Sol,
Que compartilha sua cor com tudo.
No amanhecer do meu quadro, eu ouço pássaros
Que não se mostram.
Estão todos escondidos nas copas das árvores.
Penso que talvez um lago ou
Uma paragem... — eu quero paz.
Meu quadro, para não dizer minha existência,
Só será inteiro quando as flores
Dominarem o jardim — Dentro de mim não mora o deserto.
Entre suspiros e pinceladas,
Atos humanos transformam o que era divino
Mudando a paisagem.
Minhas lágrimas dissolvem com
Sua ternura
A aquarela seca e dura nas telas da vida
E, como gotas de chuva, caem sempre no lugar certo,
Porque eu vivo e sinto a imagem que eu projeto.
Minha vida é pintura viva.
Frederico Ferreira
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