Não te inquietes com o primeiro verso.
A partir da primeira sílaba, tudo flui como uma longa caminhada.
Ninguém fará juízo de ti se as frases são curtas ou longas
Como pequenas pedras ou longos caminhos sobre os quais seguimos
Através das veredas da criatividade.
Isto, aliás, é o menos importante.
Importa chegar no destino, quem sabe até um pouco mais leve,
Como alguém que tirou um peso de si porque,
Cedo ou tarde, descobrimos que escrevendo vamos também nos conhecendo.
Sim, também é imprescindível ter coragem.
Quem nos lê faz a biopsia de nossa alma,
Como quem tira dela um pedaço,
De papel e tinta, por certo,
Mas que é o nosso espelho
Ou o nosso sonho.
Eles sentem, no ritmo dos nossos versos, a nossa paz ou a nossa ira,
O sabor doce das nossas paixões ou o amargor das nossas angustias.
Deixe fluir. Deixe fluir a vontade que tem domínio de si,
Porque neste fluxo somos apenas os condutores,
Como o pensamento que se projeta à distância
E conduz o nosso corpo ao fim da jornada.
Não há padrões ou convenções a respeitar.
Não há trilhos, mas várias trilhas.
Não há obstáculos, mas limites a vencer.
O papel acolhe com humildade tudo o que escrevemos.
Liberte tua alma, portanto.
A alma liberta não tem freios.
A folha em branco a espera.
Frederico Ferreira
sexta-feira, 2 de junho de 2017
domingo, 28 de maio de 2017
Separação
Caminhos distintos separam agora aquelas três almas.
Ao largo da Avenida de dois sentidos,
Em cada um dos lados um carro parado
Preparando-se para o reencontro.
Não era o canteiro ao centro que os separava,
Nem a entrada para o retorno que os unia.
Tudo ali era separação.
A distância, incalculável.
Um misto de desolação e amargura.
Não era possível sequer o contato visual entre eles,
Aqueles do tipo olho no olho.
Os sonhos de outrora transformaram-se em pesadelos.
Não se imaginaria ali um casal que amou, dormiu e acordou junto.
A criança no banco do passageiro era a única coisa que passaram a ter em comum.
Caminhos opostos e um canteiro nu, frio, de pedra e ferro.
Não há flores nos canteiros da solidão.
Frederico Ferreira
Ao largo da Avenida de dois sentidos,
Em cada um dos lados um carro parado
Preparando-se para o reencontro.
Não era o canteiro ao centro que os separava,
Nem a entrada para o retorno que os unia.
Tudo ali era separação.
A distância, incalculável.
Um misto de desolação e amargura.
Não era possível sequer o contato visual entre eles,
Aqueles do tipo olho no olho.
Os sonhos de outrora transformaram-se em pesadelos.
Não se imaginaria ali um casal que amou, dormiu e acordou junto.
A criança no banco do passageiro era a única coisa que passaram a ter em comum.
Caminhos opostos e um canteiro nu, frio, de pedra e ferro.
Não há flores nos canteiros da solidão.
Frederico Ferreira
sábado, 20 de maio de 2017
Mantiqueira, musa do Vale
Os galhos das Araucárias
São o berço de minha alma apaixonada.
Elas são a imponência viva
Da Serra interminável da Mantiqueira.
Eu, da Vila indômita do Piquete,
Paulista, porém "mineiro cansado" de nascença,
- O que me confere dupla cidadania –
Observo de longe a Grande Muralha
De onde meu coração suspira lembranças da mocidade!
Oh! Quantas tardes a viajar olhando tudo aquilo.
A imaginar, de longe, o pranto
Que conduz suas frias lágrimas
No doce correr das cachoeiras!
E eu, que já pensei que essa contemplação seria para sempre!
Para quase sempre, sem dúvida,
Porque a vida dos mortais muda,
Enquanto a Terra conta Eternidades.
Contigo ao largo,
Nem precisaríamos elevar o pensamento ao Alto
Para perceber o quanto tudo é grandioso:
Desde sua sombra que se projeta por todo o Vale
Até a noite muda que desvela galáxias infinitas!
Enquanto tiver voz, cantarei a ti, Serra amiga.
E lembrarei sempre do entardecer dourado,
Da riqueza emoldurada em formas,
Maravilhosa Musa do Vale!
Beleza inefável de cores e de Vida.
Gonçalves, MG
Frederico Ferreira
São o berço de minha alma apaixonada.
Elas são a imponência viva
Da Serra interminável da Mantiqueira.
Eu, da Vila indômita do Piquete,
Paulista, porém "mineiro cansado" de nascença,
- O que me confere dupla cidadania –
Observo de longe a Grande Muralha
De onde meu coração suspira lembranças da mocidade!
Oh! Quantas tardes a viajar olhando tudo aquilo.
A imaginar, de longe, o pranto
Que conduz suas frias lágrimas
No doce correr das cachoeiras!
E eu, que já pensei que essa contemplação seria para sempre!
Para quase sempre, sem dúvida,
Porque a vida dos mortais muda,
Enquanto a Terra conta Eternidades.
Contigo ao largo,
Nem precisaríamos elevar o pensamento ao Alto
Para perceber o quanto tudo é grandioso:
Desde sua sombra que se projeta por todo o Vale
Até a noite muda que desvela galáxias infinitas!
Enquanto tiver voz, cantarei a ti, Serra amiga.
E lembrarei sempre do entardecer dourado,
Da riqueza emoldurada em formas,
Maravilhosa Musa do Vale!
Beleza inefável de cores e de Vida.
Gonçalves, MG
Frederico Ferreira
sexta-feira, 5 de maio de 2017
A Guerra
Escutai-me antes que seja demasiado tarde.
A vossa memória medíocre vos impede de recordar o passado:
Eu sou a besta imunda que habita o coração humano,
A hiena faminta que bebe o vosso sangue e come a vossa carne.
Vós pensais que me conheceis, mas não!
Eu me escondo nas trevas
E prefiro fazer aparecer o vosso orgulho,
Este sentimento que vos faz pequenos enquanto tentam ser grandes.
Eu inflamo a vossa coragem e jogo provocações no ar.
Atormento o vosso pensamento e enveneno o vosso coração.
Ah! Como os vossos Chefes de Estado são fáceis de irritar!
Como os países – estes pequenos pedaços de terra que, vistos à distância, não possuem nenhuma fronteira –
E este sentimento de patriotismo louco
Não são outra coisa senão a manifestação da vossa fraqueza!
Para mim, não importa a cor da vossa pele,
Eu amo o sangue, sempre vermelho.
Eu ignoro a língua que falais.
Compreendo apenas o último suspiro dos vossos heróis.
Eu falo apenas a língua da morte,
E sempre venço.
Tenho desejo de ver os vossos olhos tristes aspirando a paz que não chegará jamais.
Eu recolherei as vossas lágrimas para regar o meu jardim de cadáveres
Enquanto escuto a sinfonia melancólica das mães que choram os seus filhos.
Tudo isto vos parece triste, eu sei.
Entretanto, eu estarei ao lado dos algozes da humanidade
E gozarei com eles a sua riqueza maldita
E estremecerei a cada bala atirada, a cada bomba jogada,
Mas principalmente a cada corpo que cai!
Oh! Como eu sou má!
Apartai-vos de mim, portanto.
Eu vos espero um dia,
Enquanto sonho com a dor
E as paisagens insólitas de destruição e de morte
Por causa de vós mesmos.
Frederico Ferreira
Texto originalmente escrito em francês e traduzido pelo autor.
https://lerevelarealite.blogspot.com.br/2017/05/la-guerre.html
A vossa memória medíocre vos impede de recordar o passado:
Eu sou a besta imunda que habita o coração humano,
A hiena faminta que bebe o vosso sangue e come a vossa carne.
Vós pensais que me conheceis, mas não!
Eu me escondo nas trevas
E prefiro fazer aparecer o vosso orgulho,
Este sentimento que vos faz pequenos enquanto tentam ser grandes.
Eu inflamo a vossa coragem e jogo provocações no ar.
Atormento o vosso pensamento e enveneno o vosso coração.
Ah! Como os vossos Chefes de Estado são fáceis de irritar!
Como os países – estes pequenos pedaços de terra que, vistos à distância, não possuem nenhuma fronteira –
E este sentimento de patriotismo louco
Não são outra coisa senão a manifestação da vossa fraqueza!
Para mim, não importa a cor da vossa pele,
Eu amo o sangue, sempre vermelho.
Eu ignoro a língua que falais.
Compreendo apenas o último suspiro dos vossos heróis.
Eu falo apenas a língua da morte,
E sempre venço.
Tenho desejo de ver os vossos olhos tristes aspirando a paz que não chegará jamais.
Eu recolherei as vossas lágrimas para regar o meu jardim de cadáveres
Enquanto escuto a sinfonia melancólica das mães que choram os seus filhos.
Tudo isto vos parece triste, eu sei.
Entretanto, eu estarei ao lado dos algozes da humanidade
E gozarei com eles a sua riqueza maldita
E estremecerei a cada bala atirada, a cada bomba jogada,
Mas principalmente a cada corpo que cai!
Oh! Como eu sou má!
Apartai-vos de mim, portanto.
Eu vos espero um dia,
Enquanto sonho com a dor
E as paisagens insólitas de destruição e de morte
Por causa de vós mesmos.
Frederico Ferreira
Texto originalmente escrito em francês e traduzido pelo autor.
https://lerevelarealite.blogspot.com.br/2017/05/la-guerre.html
sexta-feira, 28 de abril de 2017
Noite
A noite repousa sobre meu país.
As florestas dormem, mas ainda escutamos o suave rumor das cachoeiras.
Dorme também o homem que nele habita.
Tudo repousa naquela paz comum das noites frias.
É nas noites que as intermitências acontecem. Tudo para.
Elas fazem diminuir a pujança da nossa bestialidade.
Frederico Ferreira
As florestas dormem, mas ainda escutamos o suave rumor das cachoeiras.
Dorme também o homem que nele habita.
Tudo repousa naquela paz comum das noites frias.
É nas noites que as intermitências acontecem. Tudo para.
Elas fazem diminuir a pujança da nossa bestialidade.
Frederico Ferreira
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Trajetória
Erguei os
vossos olhos para adiante, que o Sol brilha.
Brilham
também estrelas e os olhos arregalados de vida maravilhados.
Maravilham
as águas que caem das montanhas e as torrentes que seguem mudas,
Emudecidas
pela calmaria do tempo fluido.
Flui o
sangue nas veias do coração acelerado
Que acelera
a mente que mente a si e nega
E sonega a
verdade da vida que vê, que sente e escuta.
Continuai
com a vossa alma suspirante a busca
Mesmo
através do nada que não se vê quando é observado – ainda que sendo um caminho -
E observa
que tudo respira na mesma ordem, uníssono, no fluxo
Que flui
fluindo vida, beleza, imensidão, amor!.
Amai,
portanto, indistintamente o Universo e o Criador;
O lar da
vida que vive o tempo quase infinito e
Aquele que,
da Vontade, cria e recria e transforma a vida.
Sim, tudo
teve um começo e tem um fim.
Não o fim
do começo, mas finalidade
Que nos
envolve através da verdade que aos poucos se desvela.
Vida, morte
- morte da matéria! - porque enquanto vida e Criação Divina,
Respira em
nós a centelha que jamais se apaga
É alma, é
eterna!
A mesma
chama que brilha no homem civilizado e no homem da caverna.
São nas
transmigrações sucessivas, de mundos e de vidas
Que vamos
nos aproximando do Criador.
Veja que
Luz, que sabedoria infinita
Que nos dá
muitas chances de vida, para aprender e evoluir!
Não nasce
do verme a borboleta?
Não se
esforça a semente na cova bendita?
Guardamos
em nós também a essência divina, pronta para eclodir.
Olhai para
o lado, vede quão diferentes são os caracteres e as gentes
Cada um com
seu valor e aptidões diferentes,
Outros
tantos com virtudes e torpezas inatas.
São almas
que se educaram e continuam se educando
Aos poucos,
imersas na matéria bruta.
Aos poucos aprendendo
que o caminho do Santo
É de dor, de
renúncia, de fé, de esperança e de luta.
Frederico
Ferreira
domingo, 26 de março de 2017
Aos Mestres
Abri bem os vossos olhos, aí chegam os vossos tutelados. Nem todos, entretanto, possuem o mesmo
espírito. Suas almas carregam a intemperança de seus lares, a dureza das ruas.
O excesso de informação ou a falta de zelo fizeram com que naqueles corpos
infantis nascessem jovens despreparados. A turba se agita, como se fossem
iniciar uma grande festa. Os bancos da escola vão sendo ocupados um a um.
Guardai fortemente a vossa esperança no futuro, visto que para muitos é
a única que existe. Mesmo sem saber, alguma coisa os move para a escola, como
alguém que procura um rumo para si.
Eles, porém, têm que lutar contra os seus corações rebeldes e ainda
cheios de sonhos, que insistem em viver na irresponsabilidade. Eles precisam de
alguém que os acolha.
Tende coragem! É preciso coragem para arar o solo da ignorância transformando-o em algo bom. Como já ouvistes desta história, nem todas as sementes cairão sobre solo fértil. Algumas mesmo cairão sobre corações de pedra, incapazes de fazer florescer em si qualquer coisa. No entanto, mesmo as sementes ressecadas e o vosso esforço em cultivá-las deixarão marcas indeléveis naqueles corações. Outros tantos, com seus corações arenosos, dos tipos que não conseguem fincar raízes, se perderão no meio do caminho. Um grande impulso será visto no começo, o desabrochar da semente que insiste em eclodir, mas despois virá o desânimo, a tristeza, o abandono de si mesmos. Outros, talvez porque ainda despreparados para a luz do conhecimento, preferirão jactar-se do que aprenderam, esquecendo-se de outra máxima que preconiza que o mínimo conhecimento abre espaço para dimensionar o verdadeiro tamanho de nossa ignorância. Estes se esquecem que à sombra de si mesmos, assim como as plantas, nada se desenvolve. Não saberão olhar para fora de si, buscando o bem comum e, pelo mecanismo essencial da vida, por si mesmos serão condenados.
Todas as sementes e todos os solos são importantes. Entretanto, será através dos corações generosos e humildes daqueles pequenos que miram no horizonte os seus objetivos, que vereis florescerem campos e flores de todos os matizes.
Não desistais! Lembrai que depois da mãe e do pai que nos facilitaram os meios essenciais da vida, foram os mestres que nos guiaram para fazer-nos ser o que somos. Olhai ao vosso redor. Tudo o que o homem construiu tem um pouco de vós: da linha que escreve, ao traçado dos edifícios. Do tecido que protege, ao remédio que cura. Da enxada que cultiva, ao prato que alimenta.
Sois cultivadores da alma e do conhecimento. Sois os pais do futuro. Dai
de si e olhai mais além. Deixai cair indistinta e fartamente sobre todos as vossas
sementes.
Frederico Ferreira
sábado, 25 de março de 2017
Solidão
No fundo sei que jamais estou sozinho.
Eu não preciso de olhos para ver aquilo que o coração sente.
É com eles, com os meus bem amados de ideal, que sinto Plenitude
E a força que movimenta e entusiasma e impulsona
O trabalho que não cessa jamais!
Aquele que aspira o progresso não olha para trás;
Vê o céu de luz à sua frente.
Não há dores terríveis, não há problemas insolúveis. Não há medo.
Só há coragem e vontade de vencer-se!
Há barulho demais nas multidões.
E é lá, que fracos, nos colocamos longe de nós mesmos.
Eu preciso ouvir-me.
Lembrar-me dos que já se foram, dos que me querem bem.
- E que estão sempre presentes.
Os olhos cerram.
É no silêncio do sonho que a solidão é muda.
Lá é onde encontro comigo mesmo.
Frederico Ferreira
Eu não preciso de olhos para ver aquilo que o coração sente.
É com eles, com os meus bem amados de ideal, que sinto Plenitude
E a força que movimenta e entusiasma e impulsona
O trabalho que não cessa jamais!
Aquele que aspira o progresso não olha para trás;
Vê o céu de luz à sua frente.
Não há dores terríveis, não há problemas insolúveis. Não há medo.
Só há coragem e vontade de vencer-se!
Há barulho demais nas multidões.
E é lá, que fracos, nos colocamos longe de nós mesmos.
Eu preciso ouvir-me.
Lembrar-me dos que já se foram, dos que me querem bem.
- E que estão sempre presentes.
Os olhos cerram.
É no silêncio do sonho que a solidão é muda.
Lá é onde encontro comigo mesmo.
Frederico Ferreira
sexta-feira, 24 de março de 2017
Sombra
Eu não sou
a sombra que projeto.
Quando aqueles que não me conhecem me procuram, é a minha sombra que eles enxergam.
É isto que eles querem ver: o corpo sem olhos,
a vontade amorfa,
a projeção vazia do meu eu.
Matéria bruta! Um cérebro encarcerado e um coração artificial.
Eu não sou a sombra que projeto.
Frederico Ferreira
Meu corpo
vive como o espírito que nele habita.
A sobra é
efêmera, elástica, insensível.
Quando
muito ela se molda às asperezas do mundo que percorro.
Não corre
nela as veias de sangue, o arfar do peito que se agita às emoções.
Ela não sente o coração oprimido ou jubiloso,
O doce afago do vento sobre mim.
Ela não sente a pele de quem eu amo, nem o beijo quente que me afaga.
Ela não sente o coração oprimido ou jubiloso,
O doce afago do vento sobre mim.
Ela não sente a pele de quem eu amo, nem o beijo quente que me afaga.
Quando aqueles que não me conhecem me procuram, é a minha sombra que eles enxergam.
É isto que eles querem ver: o corpo sem olhos,
a vontade amorfa,
a projeção vazia do meu eu.
Matéria bruta! Um cérebro encarcerado e um coração artificial.
Eu não sou a sombra que projeto.
Frederico Ferreira
sexta-feira, 3 de março de 2017
Bicicleta
Quem olhasse para ele com atenção,
Perceberia alguma coisa de diferente:
A voz não muito clara,
O andar confuso e desconjuntado,
Os membros desproporcionais,
Os esgares involuntários.
Ele subira uma pequena colina empurrando sua bicicleta a pé.
Começou a pedalar e seguiu adiante, morro abaixo.
O corpo pesado e desajeitado para aquela Alma transformara-se.
Foi tomado de um prazer imenso, quase um êxtase.
Não era mais um corpo que seguia,
Era uma Alma que voava.
O sorriso imenso,
os cabelos desalinhados,
O olhar esgazeado de torpor...
O vento!...
Naquele instante, ele conhecera a Liberdade.
Frederico Ferreira
Perceberia alguma coisa de diferente:
A voz não muito clara,
O andar confuso e desconjuntado,
Os membros desproporcionais,
Os esgares involuntários.
Ele subira uma pequena colina empurrando sua bicicleta a pé.
Começou a pedalar e seguiu adiante, morro abaixo.
O corpo pesado e desajeitado para aquela Alma transformara-se.
Foi tomado de um prazer imenso, quase um êxtase.
Não era mais um corpo que seguia,
Era uma Alma que voava.
O sorriso imenso,
os cabelos desalinhados,
O olhar esgazeado de torpor...
O vento!...
Naquele instante, ele conhecera a Liberdade.
Frederico Ferreira
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