Porque certas horas sinto esta dor no peito,
O coração opresso como num abandono?
Eu vejo as paragens do mundo; tudo me extasia.
Não há porque duvidar do amanhã.
Sim. Tudo na vida passa como um capítulo curto,
Uma melodia que acaba.
A impressão fica.
Eu remoo estas impressões, que viram versos.
Tudo é tão sutil e breve que sequer devo ocupar-me de entender.
Estas linhas dão cor à minha vida.
Nelas que meu sonho repousa.
É nos meus versos que eu sou.
A noite passa insone e triste.
Abre-se diante de mim o silêncio e o infinito:
Lápis e papel em branco.
Aqui encontro a minha cura.
Frederico Ferreira
terça-feira, 1 de agosto de 2017
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Pequeno coração ferido
Meu corpo,
teu corpo.
Quão estreito é o limite entre nós.
Vivo no teu
universo.
Respiro e me
alimento do que é teu
E gravito,
dentro de ti,
Como um
astronauta.
Eu sonho
com a vida lá fora.
Me atento
aos ruídos externos.
Tudo é vida – dentro e fora de mim.
Não me culpes. Quero viver!
Deixa-me,
portanto, sonhar com o amanhã.
Não te deixes levar pelas ideias
tortas de liberdade.
Não tenho como contrapô-las.
Lei dos
homens. Lei da Natureza.
Uma mutável. A outra, não.
Lembra-te: somos
homens, biológicos,
Sentimos
dor, temos sentimentos.
Quer-me bem
por um momento!
Mãe, não quero nascer antes do tempo
Até porque não sei se consigo viver.
Deixa-me
aqui, no seu quentinho.
Dá-me mais tempo para crescer.
Lei dos
homens, penso uma vez mais.
Mas eu sigo
a lei da Natureza: Nascer.
Se minha
vida terminar naturalmente,
É porque eu não tinha que ser.
No mais, quero
viver!
Antes pensa em como será amanhã,
Sem teu
amigo que se foi, que não é mais.
Não há vazio mais triste nesta vida.
É triste e dói,
Mesmo sendo
permitido,
Não há lei que apazigue a dor de um pequeno
coração ferido.
Frederico Ferreira
coração ferido.
Frederico Ferreira
segunda-feira, 19 de junho de 2017
O arado
O arado sempre me faz refletir.
Ele me faz lembrar que, a despeito de todo o avanço tecnológico,
É ele que alimenta o homem.
Aparentemente ultrapassado – simples disco sulcado de ferro –
Ele silenciosamente trabalha para preparar a terra,
Para trazer à mesa o alimento.
Ele traz consigo a nossa essência e a nossa destinação humana,
Calorosa, quente.
Como o calor que sobe dos nossos poros,
Igualmente sobe o calor dos fogões,
Dos pratos fumegantes à mesa,
Da família reunida no seu ato social e amoroso,
De nutrição indispensável para a alma e o corpo
Com olhos nos olhos.
Ele me faz lembrar que, a despeito de todo o avanço tecnológico,
É ele que alimenta o homem.
Aparentemente ultrapassado – simples disco sulcado de ferro –
Ele silenciosamente trabalha para preparar a terra,
Para trazer à mesa o alimento.
Ele traz consigo a nossa essência e a nossa destinação humana,
Calorosa, quente.
Como o calor que sobe dos nossos poros,
Igualmente sobe o calor dos fogões,
Dos pratos fumegantes à mesa,
Da família reunida no seu ato social e amoroso,
De nutrição indispensável para a alma e o corpo
Com olhos nos olhos.
Ao nosso lado o invisível trabalha: É a inteligência da máquina
Que nos fascina e inquieta,
A inteligência que se alimenta da nossa vida e entusiasmo
Mas que é essencialmente estéril.
Elas roubam o nosso olhar em direção ao mundo.
Nos fazem ver apenas por esta janela estreita,
Inumana,
Determinística,
Fria,
Controlada e artificial.
O inanimado que sugere o que somos para o outro,
Na singularidade das formas e dos eventos,
Na efemeridade do excesso,
Na superficialidade do contato.
Tudo é um sonho magnífico que termina quando o corpo precisa comer.
E concluímos que as amizades e relações verdadeiras
São feitas sempre em volta de uma mesa,
No calor das nossas emoções,
Com olhos nos olhos.
Que nos fascina e inquieta,
A inteligência que se alimenta da nossa vida e entusiasmo
Mas que é essencialmente estéril.
Elas roubam o nosso olhar em direção ao mundo.
Nos fazem ver apenas por esta janela estreita,
Inumana,
Determinística,
Fria,
Controlada e artificial.
O inanimado que sugere o que somos para o outro,
Na singularidade das formas e dos eventos,
Na efemeridade do excesso,
Na superficialidade do contato.
Tudo é um sonho magnífico que termina quando o corpo precisa comer.
E concluímos que as amizades e relações verdadeiras
São feitas sempre em volta de uma mesa,
No calor das nossas emoções,
Com olhos nos olhos.
Frederico Ferreira
quarta-feira, 14 de junho de 2017
Ao Brasil, perdão!
Oh Pátria minha!
Uma vez mais peço-te perdão.
Já se passam séculos e continuamos a fazer o de sempre: roubar-te!
Sim, porque ao absolver ladrões implicados
Mostramos que estamos todos do mesmo lado.
Todos sonhamos acordados com o futuro que não chega jamais!
Nossa inércia é monstruosa.
Nada mais nos indigna.
Nem mesmo nossa justiça, que parece mais afeita a ladrões de galinhas.
Estamos anestesiados pelos odores pestilentos de nossa pocilga moral,
Confundidos pelas notícias propositalmente desencontradas,
Abatidos, fatigados pelo labirinto de problemas ditos insolúveis.
Respiro fundo e sonho: Como poderia ser diferente se tudo funcionasse!
Mas as malas de dinheiro não carregam valores para matar a fome,
Não compram remédios,
Não pagam professores.
Tudo continua a repetir-se como antes,
Na hereditariedade das capitanias e nos bigodes dos coronéis.
O luxo é para poucos!
Continuamos, entretanto, anestesiados,
Assistindo a tudo como um novo capítulo de uma novela,
Como se nada disso nos pertencesse.
Oh impunidade!
Como é fácil negar! Como é fácil desmentir tudo – mesmo imagens e vozes gravadas.
Como as manobras são feitas para nos dar a impressão de que algo está acontecendo.
Não sabemos ao certo. Estamos anestesiados.
Somos torturados pelos fantasmas do passado
E temos medo do futuro.
Fomos educados para parecer medíocres.
Tudo o que fazemos parece médio, mas não!
Temos vergonha de sentir vergonha.
Só não temos vergonha de ver tudo isso e continuarmos anestesiados.
O que fazer então?
Quem sabe primeiro tentar vencer a timidez ingente
E largar o ópio da indolência, que é toda a nossa anestesia?
Indignar-se e falar!
Dar a voz ao coração e à mente que anseia.
E agir!
Pensar no bem comum, na ética a qualquer preço,
Ainda que fazendo pouco, mas sempre.
Esta terra é nossa. Cuidemos dela.
Tudo fica mais claro agora.
Parece que a sombra se dissipa
E já vejo o brilho cintilante nas estrelas da nossa bandeira.
Frederico Ferreira
Uma vez mais peço-te perdão.
Já se passam séculos e continuamos a fazer o de sempre: roubar-te!
Sim, porque ao absolver ladrões implicados
Mostramos que estamos todos do mesmo lado.
Todos sonhamos acordados com o futuro que não chega jamais!
Nossa inércia é monstruosa.
Nada mais nos indigna.
Nem mesmo nossa justiça, que parece mais afeita a ladrões de galinhas.
Estamos anestesiados pelos odores pestilentos de nossa pocilga moral,
Confundidos pelas notícias propositalmente desencontradas,
Abatidos, fatigados pelo labirinto de problemas ditos insolúveis.
Respiro fundo e sonho: Como poderia ser diferente se tudo funcionasse!
Mas as malas de dinheiro não carregam valores para matar a fome,
Não compram remédios,
Não pagam professores.
Tudo continua a repetir-se como antes,
Na hereditariedade das capitanias e nos bigodes dos coronéis.
O luxo é para poucos!
Continuamos, entretanto, anestesiados,
Assistindo a tudo como um novo capítulo de uma novela,
Como se nada disso nos pertencesse.
Oh impunidade!
Como é fácil negar! Como é fácil desmentir tudo – mesmo imagens e vozes gravadas.
Como as manobras são feitas para nos dar a impressão de que algo está acontecendo.
Não sabemos ao certo. Estamos anestesiados.
Somos torturados pelos fantasmas do passado
E temos medo do futuro.
Fomos educados para parecer medíocres.
Tudo o que fazemos parece médio, mas não!
Temos vergonha de sentir vergonha.
Só não temos vergonha de ver tudo isso e continuarmos anestesiados.
O que fazer então?
Quem sabe primeiro tentar vencer a timidez ingente
E largar o ópio da indolência, que é toda a nossa anestesia?
Indignar-se e falar!
Dar a voz ao coração e à mente que anseia.
E agir!
Pensar no bem comum, na ética a qualquer preço,
Ainda que fazendo pouco, mas sempre.
Esta terra é nossa. Cuidemos dela.
Tudo fica mais claro agora.
Parece que a sombra se dissipa
E já vejo o brilho cintilante nas estrelas da nossa bandeira.
Frederico Ferreira
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Conselhos a uma jovem poeta
Não te inquietes com o primeiro verso.
A partir da primeira sílaba, tudo flui como uma longa caminhada.
Ninguém fará juízo de ti se as frases são curtas ou longas
Como pequenas pedras ou longos caminhos sobre os quais seguimos
Através das veredas da criatividade.
Isto, aliás, é o menos importante.
Importa chegar no destino, quem sabe até um pouco mais leve,
Como alguém que tirou um peso de si porque,
Cedo ou tarde, descobrimos que escrevendo vamos também nos conhecendo.
Sim, também é imprescindível ter coragem.
Quem nos lê faz a biopsia de nossa alma,
Como quem tira dela um pedaço,
De papel e tinta, por certo,
Mas que é o nosso espelho
Ou o nosso sonho.
Eles sentem, no ritmo dos nossos versos, a nossa paz ou a nossa ira,
O sabor doce das nossas paixões ou o amargor das nossas angustias.
Deixe fluir. Deixe fluir a vontade que tem domínio de si,
Porque neste fluxo somos apenas os condutores,
Como o pensamento que se projeta à distância
E conduz o nosso corpo ao fim da jornada.
Não há padrões ou convenções a respeitar.
Não há trilhos, mas várias trilhas.
Não há obstáculos, mas limites a vencer.
O papel acolhe com humildade tudo o que escrevemos.
Liberte tua alma, portanto.
A alma liberta não tem freios.
A folha em branco a espera.
Frederico Ferreira
A partir da primeira sílaba, tudo flui como uma longa caminhada.
Ninguém fará juízo de ti se as frases são curtas ou longas
Como pequenas pedras ou longos caminhos sobre os quais seguimos
Através das veredas da criatividade.
Isto, aliás, é o menos importante.
Importa chegar no destino, quem sabe até um pouco mais leve,
Como alguém que tirou um peso de si porque,
Cedo ou tarde, descobrimos que escrevendo vamos também nos conhecendo.
Sim, também é imprescindível ter coragem.
Quem nos lê faz a biopsia de nossa alma,
Como quem tira dela um pedaço,
De papel e tinta, por certo,
Mas que é o nosso espelho
Ou o nosso sonho.
Eles sentem, no ritmo dos nossos versos, a nossa paz ou a nossa ira,
O sabor doce das nossas paixões ou o amargor das nossas angustias.
Deixe fluir. Deixe fluir a vontade que tem domínio de si,
Porque neste fluxo somos apenas os condutores,
Como o pensamento que se projeta à distância
E conduz o nosso corpo ao fim da jornada.
Não há padrões ou convenções a respeitar.
Não há trilhos, mas várias trilhas.
Não há obstáculos, mas limites a vencer.
O papel acolhe com humildade tudo o que escrevemos.
Liberte tua alma, portanto.
A alma liberta não tem freios.
A folha em branco a espera.
Frederico Ferreira
domingo, 28 de maio de 2017
Separação
Caminhos distintos separam agora aquelas três almas.
Ao largo da Avenida de dois sentidos,
Em cada um dos lados um carro parado
Preparando-se para o reencontro.
Não era o canteiro ao centro que os separava,
Nem a entrada para o retorno que os unia.
Tudo ali era separação.
A distância, incalculável.
Um misto de desolação e amargura.
Não era possível sequer o contato visual entre eles,
Aqueles do tipo olho no olho.
Os sonhos de outrora transformaram-se em pesadelos.
Não se imaginaria ali um casal que amou, dormiu e acordou junto.
A criança no banco do passageiro era a única coisa que passaram a ter em comum.
Caminhos opostos e um canteiro nu, frio, de pedra e ferro.
Não há flores nos canteiros da solidão.
Frederico Ferreira
Ao largo da Avenida de dois sentidos,
Em cada um dos lados um carro parado
Preparando-se para o reencontro.
Não era o canteiro ao centro que os separava,
Nem a entrada para o retorno que os unia.
Tudo ali era separação.
A distância, incalculável.
Um misto de desolação e amargura.
Não era possível sequer o contato visual entre eles,
Aqueles do tipo olho no olho.
Os sonhos de outrora transformaram-se em pesadelos.
Não se imaginaria ali um casal que amou, dormiu e acordou junto.
A criança no banco do passageiro era a única coisa que passaram a ter em comum.
Caminhos opostos e um canteiro nu, frio, de pedra e ferro.
Não há flores nos canteiros da solidão.
Frederico Ferreira
sábado, 20 de maio de 2017
Mantiqueira, musa do Vale
Os galhos das Araucárias
São o berço de minha alma apaixonada.
Elas são a imponência viva
Da Serra interminável da Mantiqueira.
Eu, da Vila indômita do Piquete,
Paulista, porém "mineiro cansado" de nascença,
- O que me confere dupla cidadania –
Observo de longe a Grande Muralha
De onde meu coração suspira lembranças da mocidade!
Oh! Quantas tardes a viajar olhando tudo aquilo.
A imaginar, de longe, o pranto
Que conduz suas frias lágrimas
No doce correr das cachoeiras!
E eu, que já pensei que essa contemplação seria para sempre!
Para quase sempre, sem dúvida,
Porque a vida dos mortais muda,
Enquanto a Terra conta Eternidades.
Contigo ao largo,
Nem precisaríamos elevar o pensamento ao Alto
Para perceber o quanto tudo é grandioso:
Desde sua sombra que se projeta por todo o Vale
Até a noite muda que desvela galáxias infinitas!
Enquanto tiver voz, cantarei a ti, Serra amiga.
E lembrarei sempre do entardecer dourado,
Da riqueza emoldurada em formas,
Maravilhosa Musa do Vale!
Beleza inefável de cores e de Vida.
Gonçalves, MG
Frederico Ferreira
São o berço de minha alma apaixonada.
Elas são a imponência viva
Da Serra interminável da Mantiqueira.
Eu, da Vila indômita do Piquete,
Paulista, porém "mineiro cansado" de nascença,
- O que me confere dupla cidadania –
Observo de longe a Grande Muralha
De onde meu coração suspira lembranças da mocidade!
Oh! Quantas tardes a viajar olhando tudo aquilo.
A imaginar, de longe, o pranto
Que conduz suas frias lágrimas
No doce correr das cachoeiras!
E eu, que já pensei que essa contemplação seria para sempre!
Para quase sempre, sem dúvida,
Porque a vida dos mortais muda,
Enquanto a Terra conta Eternidades.
Contigo ao largo,
Nem precisaríamos elevar o pensamento ao Alto
Para perceber o quanto tudo é grandioso:
Desde sua sombra que se projeta por todo o Vale
Até a noite muda que desvela galáxias infinitas!
Enquanto tiver voz, cantarei a ti, Serra amiga.
E lembrarei sempre do entardecer dourado,
Da riqueza emoldurada em formas,
Maravilhosa Musa do Vale!
Beleza inefável de cores e de Vida.
Gonçalves, MG
Frederico Ferreira
sexta-feira, 5 de maio de 2017
A Guerra
Escutai-me antes que seja demasiado tarde.
A vossa memória medíocre vos impede de recordar o passado:
Eu sou a besta imunda que habita o coração humano,
A hiena faminta que bebe o vosso sangue e come a vossa carne.
Vós pensais que me conheceis, mas não!
Eu me escondo nas trevas
E prefiro fazer aparecer o vosso orgulho,
Este sentimento que vos faz pequenos enquanto tentam ser grandes.
Eu inflamo a vossa coragem e jogo provocações no ar.
Atormento o vosso pensamento e enveneno o vosso coração.
Ah! Como os vossos Chefes de Estado são fáceis de irritar!
Como os países – estes pequenos pedaços de terra que, vistos à distância, não possuem nenhuma fronteira –
E este sentimento de patriotismo louco
Não são outra coisa senão a manifestação da vossa fraqueza!
Para mim, não importa a cor da vossa pele,
Eu amo o sangue, sempre vermelho.
Eu ignoro a língua que falais.
Compreendo apenas o último suspiro dos vossos heróis.
Eu falo apenas a língua da morte,
E sempre venço.
Tenho desejo de ver os vossos olhos tristes aspirando a paz que não chegará jamais.
Eu recolherei as vossas lágrimas para regar o meu jardim de cadáveres
Enquanto escuto a sinfonia melancólica das mães que choram os seus filhos.
Tudo isto vos parece triste, eu sei.
Entretanto, eu estarei ao lado dos algozes da humanidade
E gozarei com eles a sua riqueza maldita
E estremecerei a cada bala atirada, a cada bomba jogada,
Mas principalmente a cada corpo que cai!
Oh! Como eu sou má!
Apartai-vos de mim, portanto.
Eu vos espero um dia,
Enquanto sonho com a dor
E as paisagens insólitas de destruição e de morte
Por causa de vós mesmos.
Frederico Ferreira
Texto originalmente escrito em francês e traduzido pelo autor.
https://lerevelarealite.blogspot.com.br/2017/05/la-guerre.html
A vossa memória medíocre vos impede de recordar o passado:
Eu sou a besta imunda que habita o coração humano,
A hiena faminta que bebe o vosso sangue e come a vossa carne.
Vós pensais que me conheceis, mas não!
Eu me escondo nas trevas
E prefiro fazer aparecer o vosso orgulho,
Este sentimento que vos faz pequenos enquanto tentam ser grandes.
Eu inflamo a vossa coragem e jogo provocações no ar.
Atormento o vosso pensamento e enveneno o vosso coração.
Ah! Como os vossos Chefes de Estado são fáceis de irritar!
Como os países – estes pequenos pedaços de terra que, vistos à distância, não possuem nenhuma fronteira –
E este sentimento de patriotismo louco
Não são outra coisa senão a manifestação da vossa fraqueza!
Para mim, não importa a cor da vossa pele,
Eu amo o sangue, sempre vermelho.
Eu ignoro a língua que falais.
Compreendo apenas o último suspiro dos vossos heróis.
Eu falo apenas a língua da morte,
E sempre venço.
Tenho desejo de ver os vossos olhos tristes aspirando a paz que não chegará jamais.
Eu recolherei as vossas lágrimas para regar o meu jardim de cadáveres
Enquanto escuto a sinfonia melancólica das mães que choram os seus filhos.
Tudo isto vos parece triste, eu sei.
Entretanto, eu estarei ao lado dos algozes da humanidade
E gozarei com eles a sua riqueza maldita
E estremecerei a cada bala atirada, a cada bomba jogada,
Mas principalmente a cada corpo que cai!
Oh! Como eu sou má!
Apartai-vos de mim, portanto.
Eu vos espero um dia,
Enquanto sonho com a dor
E as paisagens insólitas de destruição e de morte
Por causa de vós mesmos.
Frederico Ferreira
Texto originalmente escrito em francês e traduzido pelo autor.
https://lerevelarealite.blogspot.com.br/2017/05/la-guerre.html
sexta-feira, 28 de abril de 2017
Noite
A noite repousa sobre meu país.
As florestas dormem, mas ainda escutamos o suave rumor das cachoeiras.
Dorme também o homem que nele habita.
Tudo repousa naquela paz comum das noites frias.
É nas noites que as intermitências acontecem. Tudo para.
Elas fazem diminuir a pujança da nossa bestialidade.
Frederico Ferreira
As florestas dormem, mas ainda escutamos o suave rumor das cachoeiras.
Dorme também o homem que nele habita.
Tudo repousa naquela paz comum das noites frias.
É nas noites que as intermitências acontecem. Tudo para.
Elas fazem diminuir a pujança da nossa bestialidade.
Frederico Ferreira
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Trajetória
Erguei os
vossos olhos para adiante, que o Sol brilha.
Brilham
também estrelas e os olhos arregalados de vida maravilhados.
Maravilham
as águas que caem das montanhas e as torrentes que seguem mudas,
Emudecidas
pela calmaria do tempo fluido.
Flui o
sangue nas veias do coração acelerado
Que acelera
a mente que mente a si e nega
E sonega a
verdade da vida que vê, que sente e escuta.
Continuai
com a vossa alma suspirante a busca
Mesmo
através do nada que não se vê quando é observado – ainda que sendo um caminho -
E observa
que tudo respira na mesma ordem, uníssono, no fluxo
Que flui
fluindo vida, beleza, imensidão, amor!.
Amai,
portanto, indistintamente o Universo e o Criador;
O lar da
vida que vive o tempo quase infinito e
Aquele que,
da Vontade, cria e recria e transforma a vida.
Sim, tudo
teve um começo e tem um fim.
Não o fim
do começo, mas finalidade
Que nos
envolve através da verdade que aos poucos se desvela.
Vida, morte
- morte da matéria! - porque enquanto vida e Criação Divina,
Respira em
nós a centelha que jamais se apaga
É alma, é
eterna!
A mesma
chama que brilha no homem civilizado e no homem da caverna.
São nas
transmigrações sucessivas, de mundos e de vidas
Que vamos
nos aproximando do Criador.
Veja que
Luz, que sabedoria infinita
Que nos dá
muitas chances de vida, para aprender e evoluir!
Não nasce
do verme a borboleta?
Não se
esforça a semente na cova bendita?
Guardamos
em nós também a essência divina, pronta para eclodir.
Olhai para
o lado, vede quão diferentes são os caracteres e as gentes
Cada um com
seu valor e aptidões diferentes,
Outros
tantos com virtudes e torpezas inatas.
São almas
que se educaram e continuam se educando
Aos poucos,
imersas na matéria bruta.
Aos poucos aprendendo
que o caminho do Santo
É de dor, de
renúncia, de fé, de esperança e de luta.
Frederico
Ferreira
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